“Jesus foi o maior socialista que já existiu”, declara Jefferson Ramalho

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Foi lançado, no dia 8 de abril, no Sindicato dos Metroviários de São Paulo, um livro que, não tenha dúvida, desencadeará uma série de análises, artigos e comentários nas redes sociais. Em Jesus, o maior socialista que já existiu, o teólogo, historiador e doutorando em História pela UNICAMP, Jefferson Ramalho delineia alguns aspectos que, segundo ele, aproximam Jesus do que hoje conhecemos por “socialista”. Nesta entrevista conversaremos um pouco sobre o quarto livro de Ramalho e sua compreensão sobre alguns temas polêmicos no meio evangélico. Esta entrevista não versará sobre uma análise teológica dos Evangelhos, mas alguns exemplos humanitários de Cristo. Convém deixar claro que os pontos aqui abordados não refletem a opinião deste Gospel+.

Cristãos Progressistas. Jefferson, tudo bem?

Jefferson Ramalho. Por favor, não quero parecer indelicado na resposta, mas eu aprendi com um grande amigo – o qual, inclusive, me honrou com o prefácio deste meu novo livro – que não devemos responder que está tudo bem -“tudo é muita coisa”, diz ele. Eu posso dizer que estou bem, mas não plenamente bem. Existem muitas pessoas que não conheço que neste exato momento estão vivenciando sofrimentos terríveis. Mesmo que, na maioria dos casos, eu nada possa fazer – se é que eu não posso mesmo – o simples fato de saber que há pessoas sofrendo, agora, me impede de dizer que está “tudo” bem. Eu posso estar, mas quantos não estão? Muitos, muitos mesmo. Então, eu prefiro dizer, com um certo constrangimento, que estou apenas bem.

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Cristãos Progressistas. É um grande prazer poder conversar contigo e conhecer um pouco mais sobre o seu mais novo livro, Jesus, o maior socialista que já existiu.

Jefferson Ramalho. Eu me sinto honrado em falar com você sobre este meu novo trabalho. Espero contribuir de alguma maneira. Nem que seja provocando dúvidas e reflexões. Aproveito para agradecer tanto pelo convite para esta entrevista quanto pela oportunidade de divulgar meu trabalho.

Cristãos Progressistas. Não há dúvida de que Jesus é a figura mais emblemática da História e que tem sido descrito de diversas maneiras, como um grande líder, visionário, e exemplo de administrador e psicólogo, e agora como o “maior socialista que já existiu”. De onde surgiu a inspiração para chegar a essa conclusão?

Jefferson Ramalho. Simples. A inspiração surgiu da releitura que passei a fazer dos evangelhos de alguns anos para cá, desde que deixei de frequentar, por opção, os templos religiosos. Houve tempos nos quais eu via em Jesus um grande curandeiro, milagreiro, mágico, enfim. Passei a perceber que faria muito mais sentido se começasse a prestar atenção tão somente na experiência humana de Jesus de Nazaré. Não quero entrar na discussão em torno da divinização de Jesus que, como sabemos, resultou de um processo de construção discursiva, dogmática, teológica e até política. Tenho percebido que o mundo, para ser melhor (não perfeito, pois é algo impossível) não precisa de uma compreensão de um Jesus sobrenatural, divino, ressuscitado dos mortos. O mundo precisa, antes de tudo, conhecer o jovem de Nazaré, que era humano como todos nós, inconformado com a injustiça e a desigualdade, que denunciava os poderosos e que não se envergonhava de manter amizades com pessoas rejeitadas pela sociedade. O comportamento de Jesus seria, não tenho dúvida, execrado pelas igrejas de hoje.

Cristãos Progressistas. Você tem consciência de que está entrando em um campo minado, ou seja, que há uma forte resistência a temas associados ao Socialismo? Acredita ser possível apresentar aos cristãos uma nova compreensão da face humana de Cristo?

Jefferson Ramalho. Sim. Primeiro, porque dizer que Jesus foi socialista é um grande problema do ponto de vista histórico-filosófico. Por quê? Porque ele viveu há cerca de dois mil anos. O Socialismo é uma corrente ideológica que ainda não completou duzentos anos. Portanto, é anacrônico dizer que ele foi socialista, tanto quanto seria chamá-lo de capitalista, psicólogo, líder executivo, mas é inegável que muitos – senão todos – os princípios de solidariedade, igualdade, justiça, relações humanas de respeito pelo outro, independentemente de sua condição, raça, cor, sexo, gênero, religião, orientação sexual são comuns tanto na vida e comportamento de Jesus de Nazaré, como no Socialismo. Sabemos, sim, que o Socialismo é plural. Mas, os grupos que ao longo da história se disseram seguidores de Jesus também foram e são plurais. No entanto, há uma essência que os une. E, não tenho dúvida, de que se existem diferenças entre a mensagem do jovem galileu e a mensagem socialista, estas estão longe de superar aquilo que as aproxima. Há muito mais pontos em comum do que diferenças. É para isso que quero chamar a atenção de leitores e leitoras que me derem a honra e o privilégio de suas atenções para o meu livro.

Cristãos Progressistas. Que elementos dos Evangelhos podemos tomar como fundamentos para a compreensão de que Jesus foi o maior socialista que já existiu?

Jefferson Ramalho. Exatamente aqueles que mencionei: os princípios da solidariedade, da igualdade, da justiça social e econômica, das relações humanas de respeito pelo outro independentemente de qualquer coisa. As pessoas têm que ser respeitadas em suas condições e escolhas. Mas, quero chamar a atenção para um ponto muito importante. Jesus era um sujeito que estava disposto a enfrentar cara a cara a injustiça, a arrogância, o poder opressor de líderes políticos e religiosos, a exploração do ser humano e a falsa ideia de meritocracia a ser aplicada numa sociedade na qual as oportunidades são desiguais desde quando o seres humanos nascem. Defender a meritocracia em uma sociedade desigual é desumano, é injusto, é sem o mínimo sentido, é sem critério racional e ético. Jesus, por outro lado, foi defensor da justiça, dos menos favorecidos, dos excluídos, dos explorados, das vítimas de preconceito. A leitura mais simplória dos evangelhos já permite que percebamos isso. Infelizmente, líderes religiosos de hoje, sem o mínimo conhecimento exegético, sem o mínimo conhecimento das línguas originais da Bíblia, distorcem a narrativa de tal maneira, fazendo-as falar aquilo que elas não estão falando. E, com isso, enganam pessoas, enriquecem às custas da fé alheia, fazem alianças políticas que não promovem o avanço da sociedade em todos os sentidos, mas que na prática servem apenas para encher seus bolsos e legitimar visões de mundo que são conservadoras, retrógradas, excludentes e preconceituosas. É uma pena que seja assim. Dizem que promovem o amor (claro que vão dizer isso), mas promovem o ódio, a exclusão e até a violência.

Cristãos Progressistas. No capítulo 7 do livro você trabalha com a temática de que “não se deve matar um criminoso”. É uma resposta a cultura do punitivismo que caracteriza países como o Brasil? Que dizer dos que têm como base sua fé no Evangelho, e, ao mesmo tempo, são defensores de práticas como linchamento e pena de morte? Não está em franca contradição com o segundo maior mandamento – amarás o próximo como a ti mesmo?

Jefferson Ramalho. Em total contradição. Quem defende a violência não pode se dizer seguidor de Jesus de Nazaré. Pode até dizer que segue a Bíblia, pois de fato há muitos momentos, especialmente no Primeiro Testamento, que trazem a ideia de um Deus vingativo, punitivo, violento. Mas, devemos sempre lembrar que a Bíblia, antes de qualquer coisa, é resultante de várias construções discursivas de um povo que queria legitimar suas crenças, sua identidade étnica e suas guerras. E, para isso, nada como dizer: “Deus está do nosso lado e não do lado dos outros”. Mas, se vamos para o Segundo Testamento, o Jesus de Nazaré que ali é apresentado, em meio a uma série de narrativas míticas e repleta por metáforas, tem uma mensagem muito clara a passar. Quem agride um agressor, se torna tão agressor quanto ele; quem mata um assassino, se torna tão assassino quanto ele. É simples e básico isso nos evangelhos. Quando uma mulher foi flagrada em adultério, quiseram matá-la, pois a lei em certo sentido os permitia fazer isso. Jesus, porém, dado ao enfrentamento como era, desafiou-os: “aquele que entre vocês jamais cometeu algum erro, pode apedrejá-la.” E o que mais vemos na narrativa desse episódio? O machismo.

Mulheres flagradas em adultério eram apedrejadas. E homens adúlteros? Não deveriam, então, receber o mesmo castigo? Mas, não era assim naquela sociedade machista dos tempos de Jesus, que não difere muito da sociedade atual. Para Jesus, nem mulheres nem homens flagrados em adultério mereciam a pena de morte. Um garoto menor infrator e um filho de família burguesa, ambos usuários de drogas – e que roubam em função disso – não merecem ser açoitados. Ambos são dependentes químicos e merecem o mesmo tratamento para terem as suas vidas recuperadas. Isso sem falar das condições precárias dos presídios. Presídio não existe para punir o criminoso ou para proteger a sociedade dos infratores da Lei que estão presos. Presídio existe para recuperá-los e torná-los pessoas que possam voltar a viver na sociedade. Mas, considerando as condições do sistema prisional brasileiro, são poucos os que saem da prisão recuperados. Vivemos um verdadeiro caos! Por isso tantos defendem a pena de morte. Só que um Estado que aplica a pena de morte admite que não tem competência para recuperar e reeducar seres humanos. Precisamos entender que pessoas são recuperáveis. Basta haver instrumentos eficazes para isso.

Cristãos Progressistas. Os textos de Atos 2.44-47 e 4.32-37 são evidências de que os apóstolos tinham uma visão diferenciada, que acreditavam em princípios como igualdade e justiça social?

Jefferson Ramalho. Diferentemente do que ocorria na igreja de Corinto, na qual os ricos se empaturravam e não dividiam nada com os mais pobres, a igreja descrita nesses dois pequenos trechos do livro de Atos dos Apóstolos era solidária, desprendida de todo e qualquer bem material, não havia teologia da prosperidade, mas havia compartilhamento. É revoltante saber que existem pastores milionários e, ao mesmo tempo, em suas igrejas há pessoas que não têm o que comer em casa. E o que é pior: o sujeito (o pastor) é tão sem escrúpulos que é capaz de dizer que a pessoa está naquela situação porque não tem tido fé suficiente para melhorar de vida.

Cristãos Progressistas. Você considera os países nórdicos, como Suécia, Noruega e Finlândia como modelos de governos comprometidos com o bem-estar dos cidadãos? São hoje os melhores modelos de eficiência em políticas sociais, de igualdade de gêneros, e democracia participativa?

Jefferson Ramalho. Ainda não tive a oportunidade de conhecer esses países e nem sei se algum dia terei. O que sabemos é que eles estão muito à frente de nós em muitos quesitos. Não apenas em termos econômicos. A Economia desenvolvida é apenas uma consequência. Eles estão à frente de nós porque têm uma cultura política mais responsável, levam mais a sério aquilo que chamamos de ser humano. Você vai ao médico num país desse e é tratado como alguém que precisa ser assistido com responsabilidade; você tem uma Educação de ponta para todas as crianças e jovens, sem distinção; você aprende desde cedo a conviver com o outro, independentemente do quanto ele possa ser diferente de você. A nossa sociedade somente será melhor no dia em que aprender a viver com aquilo que melhor a caracteriza: a diversidade. E, nesses países em particular – o que, aliás, não ocorre em todo país economicamente desenvolvido – o convívio com o outro, seja ele de outra raça, cor, religião, identidade de gênero, etc, é muito respeitoso. Ser um país desenvolvido economicamente não significa que ele esteja livre de marcas e manchas culturais que expõem seus preconceitos e suas discriminações ainda tão notáveis.

Cristãos Progressistas. Para finalizar, apresente suas últimas considerações sobre o lançamento do livro Jesus, o maior socialista que já existiu.

Jefferson Ramalho. Eu pediria para que as pessoas façam a leitura completa do livro antes de o avaliarem ou o rotularem. E, apesar de já ter recebido muitas críticas de conservadores religiosos e, claro, de pessoas que têm convicções políticas neoliberais e capitalistas sem que sequer tenham lido o livro, quero deixar meu convite a todos e todas para o lançamento que será neste dia 8 de abril, a partir das 18h30, no Sindicato dos Metroviários de São Paulo (Rua Serra do Japi, 31, Tatuapé, São Paulo/SP). Teremos uma mesa com alguns convidados, boa música e, acima de tudo, muito diálogo e reflexão.

10 COMENTÁRIOS

  1. Comprar Jesus com essas figuras “socialistas” de hoje é uma piada de mau gosto. O cara precisou se desligar do CORPO DE CRISTO (igreja) pra poder conhecer Jesus melhor? Me poupem!!!!

    • Johny, porque você não comenta aquela pesquisa que fizeram no Rio de Janeiro, constatando que quase 80% dos evangélicos são contra a pena de morte. Percentual muito superior aos ateus/agnósticos e outras vertentes? Não queremos o bandido morto, aprenda. Queremos sair com nossa família em paz, sem ser alvo de vítimas da sociedade, alguns com tênis no pé mais caro que a roupa que nós vestimos.

      Com certeza esse teólogo sem Deus diria que o aborto é algo também de Cristo, pois deturparia aquele versículo que diz que um aborto é mais feliz que um homem fracassado para defender a sua tese.
      .
      Deu para entender que ele não considera a Bíblia inerrante. Talvez O Capital, Teoria Geral, etc, seriam inerrantes…

  2. A Igreja Primitiva Era Comunista?

    “Com grande poder os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Pois não havia entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que vendiam e o depositavam aos pés dos apóstolos. E se repartia a qualquer um que tivesse necessidade”. (Atos 4:33-35)

    Aqui somos informados que, entre os cristãos de Jerusalém, “todos os que possuíam terras ou casas” as vendiam, depositavam o valor “aos pés dos Apóstolos” e que estes, por sua vez, repartiam com os necessitados. Comunistas e socialistas frequentemente citam estes versos para justificar a abolição ou relativização do direito a propriedade privada. Como demonstraremos neste artigo, esta conclusão é absolutamente errada.

    “NÃO ESTAVA O PREÇO EM TEU PODER?”

    “Mas um certo homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade, e reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e levando a outra parte, a depositou aos pés dos apóstolos. Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço do terreno? Enquanto o possuías, não era teu? E vendido, não estava o preço em teu poder? Como, pois, formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus“. (Atos 5:1-4)

    S. Pedro, por uma revelação extraordinária do Espírito, ficou sabendo que Ananias, marido de Safira, estava mentindo sobre a doação. Aqui é muito importante entender qual exatamente foi a crítica do Espírito, por meio do Apóstolo: “Não mentiste aos homens, mas a Deus“. O pecado de Ananias, então, foi contra o nono mandamento, “Não dirás falso testemunho”. No contexto, “todos os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que vendiam e o depositavam aos pés dos apóstolos” (At 4:34). Ananias disse estar fazendo o mesmo, mas na realidade “reteve parte do preço” (At 5:2). E, segundo as claras palavras do Apóstolo Pedro, ele não tinha qualquer obrigação de doar nada: “Enquanto o possuías, não era teu? E vendido, não estava o preço em teu poder?” (At 5:4). Com estas palavras S. Pedro defende o direito a propriedade privada. Ele argumentou que Ananias não tinha qualquer necessidade de mentir porque antes de vender, aquela propriedade pertencia a ele depois de vender o valor da venda continuava estando sob seu poder. Ou seja, ele poderia simplesmente não vender e não doar, caso quisesse. Todavia, ele preferiu mentir sobre a doação, com o objetivo de se glorificado e exaltado pelos homens. Safira, sua esposa, era cúmplice da mentira:

    “E perguntou-lhe Pedro: Dize-me vendestes por tanto aquele terreno? E ela respondeu: Sim, por tanto. Então Pedro lhe disse: Por que é que combinastes entre vós provar o Espírito do Senhor?” (Atos 5:8-9)

    Sendo assim, não é verdade, como muitos comunistas e socialistas acreditam, que a Igreja Primitiva aboliu ou relativizou o direito a propriedade privada. Pelo contrário, o direito foi abertamente confirmado e defendido por S. Pedro quando ele repreendeu Ananias.

    “NÃO PASSARÁ ESTA GERAÇÃO”

    Mas ainda precisamos responder uma segunda questão: se os cristãos de Jerusalém não tinham a obrigação moral de fazer essas doações, se as doações eram voluntárias, por que então faziam? Qual era a motivação? A acusação que os judeus levantaram contra o diácono Estevão pode nos ajudar a entender:

    “Levantaram-se, porém, alguns que eram da sinagoga chamada dos libertos, dos cireneus, dos alexandrinos, dos da Cilícia e da Ásia, e disputavam com Estêvão; e não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava. Então subornaram uns homens para que dissessem: Temo-lo ouvido proferir palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus. Assim excitaram o povo, os anciãos, e os escribas; e investindo contra ele, o arrebataram e o levaram ao sinédrio; e apresentaram falsas testemunhas que diziam: Este homem não cessa de proferir palavras contra este santo lugar e contra a Lei; porque nós o temos ouvido dizer que esse Jesus, o nazareno, há de destruir este lugar e mudar os costumes que Moisés nos transmitiu. Então todos os que estavam assentados no sinédrio, fitando os olhos nele, viram o seu rosto como de um anjo”. (Atos 6:9-15)

    Evidentemente, as acusações eram falsas. De maneira alguma Estevão tinha blasfemado contra Deus ou Moisés. Todavia, é importante entender que tais falsas acusações eram uma versão distorcida da verdade: “Nós o temos ouvido dizer que esse Jesus, o nazareno, há de destruir este lugar e mudar os costumes que Moisés nos transmitiu”. Uma acusação parecida havia sido feita contra o próprio Cristo em seu julgamento:

    “Levantaram-se por fim alguns que depunham falsamente contra ele, dizendo: Nós o ouvimos dizer: Eu destruirei este santuário, construído por mãos de homens, e em três dias edificarei outro, não feito por mãos de homens“. (Marcos 14:57-58)

    Cristo de fato havia profetizado a destruição de Jerusalém e do santuário:

    “Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo. Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada“. (Mateus 24:1-2)

    “Ai de vós! porque edificais os túmulos dos profetas, e vossos pais os mataram. Assim sois testemunhas e aprovais as obras de vossos pais; porquanto eles os mataram, e vós lhes edificais os túmulos. Por isso diz também a sabedoria de Deus: Profetas e apóstolos lhes mandarei; e eles matarão uns, e perseguirão outros; para que a esta geração se peçam contas do sangue de todos os profetas que, desde a fundação do mundo, foi derramado; desde o sangue de Abel, até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o santuário; sim, eu vos digo, a esta geração se pedirão contas“. (Lucas 11:47-51)

    “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que a ti são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta a sua ninhada debaixo das asas, e não quiseste! Eis aí, abandonada vos é a vossa casa. E eu vos digo que não me vereis até que venha o tempo em que digais: Bendito aquele que vem em nome do Senhor”. (Lucas 13:34-35)

    “E quando chegou perto e viu a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses, ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz! mas agora isso está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os lados, e te derribarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua visitação“. (Lucas 19:41-44)

    “E falando-lhe alguns a respeito do templo, como estava ornado de formosas pedras e dádivas, disse ele: Quanto a isto que vedes, dias virão em que não se deixará aqui pedra sobre pedra, que não seja derribada“. (Lucas 21:5-6)

    “Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação. Então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes; os que estiverem dentro da cidade, saiam; e os que estiverem nos campos não entrem nela. Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas. Ai das que estiverem grávidas, e das que amamentarem naqueles dias! porque haverá grande angústia sobre a terra, e ira contra este povo. E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos“. (Lucas 21:20-24)

    Ou seja, em Seu ministério público, Cristo deixou claro que, ainda naquela geração, Jerusalém e o templo seriam destruídos por Deus. Isso se cumpriu poucas décadas depois na Guerra Judaico-Romana. E segundo Jesus, quando isso começasse a se cumprir, a situação ficaria tão feia que, em meio a fuga, não haveria nem sequer tempo para salvar os próprios bens dentro de casa ou para buscar a própria capa: “Quem estiver no eirado não desça para tirar as coisas de sua casa, e quem estiver no campo não volte atrás para apanhar a sua capa. Mas ai das que estiverem grávidas, e das que amamentarem naqueles dias!” (Mt 24:17-20) Essa profecia continuou a ser anunciada pela Igreja e essa era a base das acusações dos judeus contra Estevão: “Nós o temos ouvido dizer que esse Jesus, o nazareno, há de destruir este lugar…”

    Tendo isso entendido, é preciso responder uma pergunta crucial:

    Se Jesus tivesse dito o mesmo sobre o Brasil, que ele seria destruído, não daqui a muitas gerações, mas a qualquer momento ainda em sua geração, você continuaria a planejar seu futuro aqui? Você planejaria comprar terras ou casas aqui? E com os bens que você já tem, o que você faria?

    Isso explica a decisão dos cristãos de Jerusalém: “todos os que possuíam terras ou casas, vendendo-as…” (At 4:34). Somente quem não cresse em Jesus faria diferente. De que me serviria terras e casas em uma cidade que a qualquer momento ficaria “desolada” (Lc 21:20)? Isso explica também porque as outras igrejas, fora de Jerusalém, não faziam o mesmo.

    Por Frank Brito

    Fonte: https://resistireconstruir.wordpress.com/2014/03/02/a-igreja-primitiva-era-comunista/.

    • É um belo texto! Acredito que deixou se levar pelo socialismo de forma literal e primitiva.(Como ainda é jovem, sofre mudança) Veja se não fosse o socialismo e o comunismo, o capitalismo não seria o mesmo?! Através desta vertente não surgiu a Social Democracia?! Os direitos conquistados com muita luta, hoje fazem parte do Capitalismo?! (explorador e explorado). Lembrando que aqueles que criticavam as condições de trabalho, logo eram taxados de comunista (pelos capitalistas e seus simpatizantes lógico). Nenhum sistema é perfeito, mas tudo isso provocou mudança assim como Jesus mudou uma época. Portanto vamos nos concentrar de forma mais humana com menos desigualdades. Esta é a msg que o Autor quer passar de acordo com a reportagem.

  3. nunca respeitei o johny bernardo como apologeta mas agora realmente senti asco nunca vi um proselitismo politico tão cretino a releitura materialista de Jesus não é uma coisa nova ja vem sendo feita há muito tempo e as narco-ditaduras da america latina estão ligadas a Teologia da libertação o ´mundo melhor´ que esses teologos ajudaram a produzir é mais corrupto mais violento e mais pobre com esses dois palhaços não sera diferente.voces são uma fraude uns charlatães uma vergonha!!

    • Esse colunista ,se vale da liberdade de expressão para ser um verdadeiro herege !desserviço aos Cristão,e uma ma influencia para quem chega a esse site procurando uma leitura voltada a temas Cristãos,volto a falar que se vale da liberdade de se expressar para ir contra toda a base da igreja tradicional.

  4. Para um historiador é um anacronismo de pelo menos 1700 anos, kkk. É uma ingenuidade tamanha, deveria ter vergonha de escrever isso, qualquer banca de tcc reprovaria. Jesus Cristo não tem como ser socialista, é um absurdo… Ele não pode compactuar com isso, “como Ele seria ateu e seria Deus ao mesmo tempo”!!!

    Nos cristãos não somos burros pessoal, muito triste essa entrevista. Os sinais dos tempos mostra que a volta gloriosa do Senhor está próxima, que não sejamos enganados igreja, por um autor que nem cristão é.

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