Salvo, satisfeito e sentado

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Ultimamente tenho feito muitas reflexões a respeito da minha própria conduta enquanto discípulo de Cristo, e também da conduta dos servos de Deus em geral, diante da missão dada por Deus, expressada em Sua palavra. Confesso que tenho ficado extremamente frustrado com essas reflexões, pois tenho visto algo com muita frequência: Crentes que integraram em suas vidas os três “S’s”: Salvos, pois dizem que entregaram suas vidas a Cristo. Satisfeitos, pois encontraram certa paz e contentamento para suas vidas. Sentados, pois é a sua posição predominante diante da obra de Deus.

Têm seus corações congelados diante do chamado para a obra de Deus. Não se sensibilizam diante do “Ide” ordenado por Jesus. Têm em seus bolsos dúzias e mais dúzias de desculpas [esfarrapadas] prontas para usar e dizer não ao serviço. Esquivam-se com maestria dos desafios propostos pelas suas lideranças, pois estes os fariam ter de levantar-se. Tudo isso para que a “boa” vida cristã em que vivem não seja alterada. Qualquer que tente mexer em sua poltrona confortável é declarado como inimigo.

Apesar de se autodenominarem discípulos de Jesus Cristo, não seguem o Mestre. Jesus tinha uma vida movimentada e sem espaço para a preguiça e resignação diante da obra de Deus. Não era simplesmente ativismo vazio, era serviço puro e genuíno.  Ele derramava seu suor em prol do reino do Pai. Aliás, chegou a suar gotas de sangue pela Sua missão! Ele se desgastava para abençoar vidas. “Perdia” madrugadas para se dedicar a oração. “Gastava” tempo com pessoas, com discipulado… Não tinha medo dos desafios e buscava cumprir toda a Sua missão. Definitivamente, se Ele fosse membro de alguma igreja hoje, não ficaria sentado nos confortáveis bancos!

Não deveriam Seus discípulos fazer o mesmo ao invés de terem como única missão manterem-se em sua condição de salvos, satisfeitos e sentados, esquentando seus lugares, totalmente inertes à obra de Deus?

14 COMENTÁRIOS

  1. Mais pura verdade, ainda ontem falei sobre isso aqui na minha igreja.. somos árvores do Senhor e devemos dar frutos, bons frutos para a obra de Deus! parabéns pelo artigo, paz do Senhor!

  2. Muito bom texto, muito triste a conclusão à que se chega com ele. Li em algum lugar que há alguns anos o Instituto Moody pesquisou o movimento dos crentes na evangelização e chegou à um resultado assustador: 95% dos evangélicos entrevistados em diversas igrejas dos Estados Unidos nunca trouxeram ninguém para Cristo. Ou seja, apenas 5% podem afirmar que têm uma pessoa salva por seu intermédio. Fico triste por ser missionário de Jocum desde 93 e saber que a seara está branca para a colheita…

  3. Concordo, pastor.

    Deveriam os cristãos agir com base no que aprenderam nas igrejas e na bíblia.

    Aprendemos, mas não praticamos, muito em face de não termos líderes que nos conduzam a praticar o verdadeiro evangelho: o assistir a necessidade do próximo, como determinado por Cristo quando da parábola do Bom Samaritano.

    Quer um exemplo, pastor?

    “Estive preso e não me visitaste.” não deve se limitar a falar do amor de Cristo apenas, sim de ações dos cristãos junto à comunidade como um todo visando melhorar a situação carcerária em nosso país, haja vista a desatenção do estado para com eles.

    Assim, que os cristãos tentem materializar a fé que pregam se unindo no ajudar com campanhas de doações para pinturas, reformas e ampliações das nossas cadeias, para conseguir aparelhos de televisão, para se ter banheiros com privacidade, para se conseguir espaço para as visitas íntimas dos presos, tudo visando o retorno desses indivíduos para o meio social. Não é apenas isso, as nossas cadeias estão tão desaparelhadas, que ninguém, ninguém mesmo pensa em pagar sua pena, sim fugir, pois, o que temos hoje são as masmorras da época medieval, em que se trancava e jogava a chave fora.

    Vamos transformar o discurso em prática, e quem tem o poder maior dessa condução, com todo o respeito, são os pastores, os padres…, os legitimados.

    Então que comecemos hoje, que se propague a todos os líderes do país, haja vista que o Estado não faz e não se mexe para humanizar as cadeias, então somos nós que teremos que falar.

    Esse é apenas um exemplo do sentar nosso de cada dia, o agir como se tudo fosse verde, o agir com a pose de quem não tem nada com isso por pagar os impostos e o estado é que deve fazer, esquecendo, entretanto, que muitos dos diretores que vão para lá, apenas pensam em lucrar com os familiares do detentos.

    Cristo quando curava, outra coisa não era, sim ação social, coisa esta que muitos não conseguem interpretar. Cristo pregou, mas curou, deu pão e peixe…

    • Levi, concordo que o amor deve se na prática. Só acho que talvez precisemos cobrar mais do estado, pois este tem a responsabilidade dada pelo povo através do voto para solucionar questões como essa. Não podemos apenas fazer porque o estado não faz. Devemos nos envolver em todo o processo para um solução sustentável da questão… mas concordo com você que devemos viver mais na prática o amor cristão, sair do conforto!

      Obrigado pelo comentário!

      • Como cobrar do Estado se as igrejas, pensando na alma dos seus membros, não permitem que eles se candidatem a cargos públicos?

        Ensina que política é coisa do diabo, todavia as igrejas não explicam como foi que Deus escolheu gestores públicos, refiro-me a Saul, Davi, Salomão.

        Quando Davi foi escolhido, Israel já possuir profetas, então Deus escolheu sim um político, e tem mais disse que ele era segundo o seu coração, ou seja, enquanto aqui a gente difama, destrói e põe todos os políticos no mesmo saco, Deus colocou em local de destaque o político escolhido por Ele, Davi.

        Esses políticos não fazem, a gente sabe que não assistem ao povo, todavia continuamos de braços fechados para os mais pobres, vendo-os morrer, e o que é pior, com o estado abarrotado de dinheiro d’agente.

        É saúde, segurança… nada presta neste país, enquanto que nos países nórdicos, com ou sem evangélicos, a coisa é doutro modo, pois há padrão de vida.

        Qual foi a igreja evangélica que sequer tenha soltado uma nota contra os desmandos à coisa pública?

        Qual foi o grupo de pastores que se dirigiu a uma autoridade pedindo políticas públicas mais eficazes, qual que foi medir a qualidade dos serviços para denunciar?

        Será que querem quanto mais sofriemento, mais conversões? Custa crê nisso, mas parece, há isso sim parece.

  4. Caro irmão André Sanchez .
    Desculpe entrar com esse assunto aqui em seu post,mas gostaria o senhor poderia abordar (abri-se um post aqui no Gospel mais) sobre o assunto .Os Dizimos no antigo testamento,por que ainda é válido nos dias de hoje na era Cristã?

    Por que somente os dízimos (lei) são exigidos como obrigatoriedade na era do cristianismo?(com ameaça de maldição e ladrão de Deus?
    Por que o apostolo Paulo rejeitava impor leis do antigo testamento para os gentios que se converteram ao cristianismo?
    Se fosse seguir a pratica do dizimo não se deveria seguir toda a lei judaica? Ex. circuncisão, guardar o sábado, sacrifícios de animais entre outros, mas por que só os dízimos?

    Gostaria de ler seu parecer, suas experiências nos estudos teológico das escrituras a esse respeito.
    Acho que muito dos irmãos aqui gostaria de ler sobre esse assunto.

    Desde já aguardo sua resposta.

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