Lava Jato: Rubens Teixeira responde ao deputado Picciani após insinuações

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LAVA-JATO em Curitiba e DESENTUPIDOR-DE-FOSSA no RJ 

SENHOR JORGE PICCIANI, a Rede Record tem publicado algumas reportagens, que citam seu nome e os políticos da sua família, que têm deixado o povo do Rio de Janeiro de cabelo em pé. Nesta semana, o Jornal Folha Universal fez a mesma coisa. O Jornal O Dia, de 7 de dezembro de 2015, em uma reportagem sobre as matérias veiculadas na Record e no Jornal Folha Universal, colocou esta citação sua: “Acho que o Crivella deveria explicar à Controladoria Geral da União o desvio no Ministério da Pesca e a indicação do diretor-financeiro da Transpetro. A Operação Lava Jato chegará à Transpetro”.

ESCLARECIMENTOS

Sou servidor público há quase 28 anos, concursado, por 10 anos no Exército, e os demais no Banco Central e na Transpetro. Tenho 21 anos de cursos acadêmicos. Fui nomeado diretor financeiro e administrativo da Transpetro poucos meses após minha tese de doutorado em economia ser uma das contempladas no Prêmio Tesouro Nacional. Segundo soube, a indicação do meu nome partiu do vice-presidente José Alencar. Mas não importa de quem tenha sido. Cumpri minha missão. Trabalhei muito e não roubei. Nunca fui instado a aumentar preços ou extorquir empresários para qualquer fim. Aliás, levei comigo um perito judicial em custos, com 40 anos de experiência, para não cair em armadilhas.

Em minha gestão, combati duramente aditivos, serviços sem licitação, cortei custos, acabei com a farra de atrasar pagamentos de fornecedores que serve, em muitos casos, como um instrumento de cobrança de propina, e prestei contas do que fiz no meu site. Contrariei muitos interesses, mas minha administração foi transparente. Nem eu nem minha família nos enriquecemos com ganhos além dos declarados na Receita Federal. Jamais faria da minha família uma quadrilha. Também não tenho empresas em nome de laranjas. Nem eu nem qualquer membro da minha família respondemos qualquer processo relacionados a desvio de recursos públicos.

Fui destituído do cargo de diretor na Transpetro após desafiar corruptos a colocar dinheiro virtual na mala, quando defendi no rádio que todo o dinheiro no Brasil deveria ser eletrônico para coibir a corrupção, lavagem de dinheiro, como por exemplo, as que ocorrem através da compra de gado, e melhorar a segurança do cidadão. Sete dias depois, de forma truculenta, fui colocado para fora do cargo. Imediatamente após a minha saída, pessoas que trabalharam comigo foram maltratadas e pressionadas a dar informações a meu respeito. O MPT está apurando estas agressões ocorridas dentro das instalações de uma empresa pública, durante um governo que se diz democrático. No meu lugar, o governo federal colocou um ex-diretor de Passadena. Certamente tinha um perfil mais adequado ao que se esperava.

QUESTIONAMENTOS

Mas quando o senhor afirma que a Lava Jato chegará à Transpetro se refere exatamente a quê? O senhor sabe mesmo o caminho que a Lava-Jato vai percorrer? Quem lhe disse? Estão vazando informações para o senhor? O senhor sabe que se isso estiver acontecendo é crime? O senhor viu algo que lhe faz conhecedor do que houve? Participou ou escutou alguma conversa? Quando chegar à Transpetro, quem será responsabilizado? O acusado é vinculado a alguma legenda? Qual? Quanto à Transpetro, embora não possa responder por atos de terceiros, pelo que me consta, não houve qualquer gestor da Transpetro preso. Explico, sem medo, qualquer decisão que tomei. Não temo a absolutamente nada.

DINHEIRO EM CAMPANHAS ELEITORAIS

Com relação a custos das campanhas eleitorais, quanto tem sido a sua campanha eleitoral e do seu grupo? Pelo que vi nas ruas, caríssimas! Como o senhor e o seu grupo fazem para conseguir tanto dinheiro?

Ao contrário do senhor e de seu grupo, o senador Crivella, sempre entre os melhores senadores em todas as avaliações, tem campanhas eleitorais modestas. Embora não tenha muitos recursos para sua campanha, doa milhões de reais recebidos dos seus direitos autorais para atender necessidades de muitos carentes no RJ. Além disso, depois de construir, ajuda a manter a fazenda Canaã. O senhor e seu grupo gostam de referir-se à religião dele. Se a sua crença é que a religião é determinante nos atos dos políticos, qual convicção religiosa faz um político realizar uma campanha perdulária, enriquecer no poder, envolver sua família em situações obscuras, e ser indiferente do sofrimento do povo?

Farei, nos próximos dias, uma proposta ao Brasil para acabar com a farra de dinheiro em campanhas políticas. O artigo já está pronto. Aguarde.

A SERVIÇO DE QUEM ESTAVAM OS DELATORES?

As pessoas que desviaram e se beneficiaram dos recursos da Petrobras não eram correligionárias do senador Crivella. Pelo que me consta, não eram também do bispo Macedo. Os delatores falam muitos nomes de ilustres personalidades do seu partido. Há até mesmo alguns que se dizem evangélicos, para nossa vergonha, mas não eram também da IURD. Então seu argumento não procede.

MISTURA CRIMINOSA E INCONVENIENTE ENTRE RELIGIÃO E POLÍTICA

O senhor e o seu grupo andam muito no meio das igrejas evangélicas, em especial, mas não só, na Assembleia de Deus, que é a minha denominação. Eu acho que o senhor e seu grupo misturam política com religião, pois levam os pastores da minha denominação para seus horários eleitorais. Sei lá por que razões se prestam a isso. Eles devem ter “boas” motivações.

Os pastores da Assembleia de Deus que frequentam os horários eleitorais do seu grupo não representam a vontade da maioria e desviam-se de suas funções com estas atitudes. Jamais deveriam usar o título de pastor em campanhas eleitorais. Graças a Deus meu pastor está fora disso. Homem digno.

Outro dia, o governador Pezão, que teve dois pastores da minha denominação em seu horário eleitoral, se referiu a pastor de 1,99. Que pena as referências do atual governador do Rio de Janeiro sejam tão ruins. Ele não conhece a maioria esmagadora de pastores guerreiros e altruístas. Homens e mulheres que são anônimos para os políticos, mas presentes para o povo, diferentes de alguns de seus conhecidos: presentes para os políticos e anônimos para o povo. Se o governador andasse por perto da população excluída, conheceria os que socorrem os sofredores. A propósito, o senhor e seu grupo vão à minha denominação nas próximas eleições outra vez?

NÃO FUJA DO ASSUNTO: A DESGRAÇA DO ESTADO DO RJ

O Estado do Rio de Janeiro, administrado por seu partido há décadas, com sua participação há cerca 10 anos como presidente da ALERJ, é referência em desgraças de toda ordem: corrupção, segurança precária, saúde destruída, saneamento básico deficiente, falta d’água, educação sucateada e etc. O povo sofre demais, e seu grupo político, ao invés de esclarecer as acusações da Record, faz insinuações a respeito de terceiros que nada têm a ver com suas práticas. É verdade mesmo as graves acusações que a Record está mostrando e o Jornal Folha Universal publicou? Se eles estão errados, desmoralize-os mostrando a verdade!

Aliás, é verdade que seu grupo local quis assumir o controle nacional da sua legenda, aproveitando-se da angústia política de quem os elevou? Aproveitaram o caos para ocupar mais espaços passando por cima de todos os que os ajudaram a se posicionar bem politicamente? Que papelão! Não teria sentido que, depois de destruírem o Rio de Janeiro, quisessem espaço para fazer o mesmo a nível nacional. Sua legenda é experiente e deu o tratamento adequado.

OPERAÇÃO DESENTUPIDOR DE FOSSA NO RIO DE JANEIRO

Agora, em se tratando de Lava-Jato, acho que precisamos de uma só para o RJ e surpreenderá o mundo, se tudo o que estiver na reportagem da Record e do Jornal Folha Universal estiver correto. Acho difícil ser ficção, mas torço para que seja. Já que o senhor é presidente da ALERJ e deu sinais que conhece a trajetória da Lava-Jato, convide a PF e o MPF para iniciar os trabalhos em nosso Estado o mais breve possível. Deve dar boas dicas acerca do itinerário a ser seguido pela operação que aqui poderá ter um nome mais adequado: Desentupidor-de-Fossa. Afinal, se já tem informações seguras sobre a Transpetro, certamente acerca do RJ, que conhece mais, ajudará os trabalhos de forma mais eficiente. Se conhecer algum envolvido que queira ser o primeiro delator, é possível que ele tenha mais a cooperar e, portanto, poderá também ter mais benefícios judiciais.

rubensteixeiraAlém disso, pode observar que o Estado com maior concentração de nomes envolvidos, em especial os mais destacados, na Lava-Jato, infelizmente, é o Rio de Janeiro. E o senhor sabe dizer em qual legenda? Por isso, tenha calma e não se afobe. Imagino que nem todos os acusados, de qualquer legenda, sejam necessariamente culpados. Espero que não.

Portanto, não se precipite em insinuar acusações contra quem nada deve e, ao invés disso, explique-se no que lhe couber. Fique certo de que a verdade sempre prevalece. É só termos paciência para aguardar. Para mim, isso é ótimo. E para o senhor?

Link da matéria citada: http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-12-06/jornal-da-universal-ataca-politicos-do-pmdb-do-rio.html

3 COMENTÁRIOS

  1. Senti firmeza nas palavras do nobre missivista, é o velho ditado ” Quem não deve não teme”, espero que todos os acusados tenham a mesma coragem. ” Deu a cara para bater”. Infelizmente tem um grupo de pastores? se é que podemos denominar assim, vivem servindo de cabo eleitoral utilizando-se do cargo episcopal, esses sim são os verdadeiros pastores de R$ 1,99. Deus o abençoe meu irmão, e parabéns.

  2. Outro ex deputado do Rio de Janeiro da mesma organização record/universal.

    Fonte Folha de São Paulo

    Ex-vereador morre depois de denunciar Universal
    Waldir Abrão dizia ter atuado como laranja em empréstimos feitos pela igreja

    Seis dias após ter registrado depoimento com acusações, ex-dirigente é encontrado ferido no prédio onde vivia; polícia investiga o caso

    RUBENS VALENTE
    DA REPORTAGEM LOCAL

    Diretor da Igreja Universal do Reino de Deus entre 1981 e 1986 e vereador do Rio de Janeiro por três legislaturas, Waldir Abrão declarou ter sido usado como “laranja” -teve o nome usado sem consentimento- pela igreja em 20 operações de empréstimos fictícios que trouxeram dinheiro do exterior para a aquisição de uma TV de Goiânia (GO).
    Abrão registrou um instrumento particular de declaração, de 23 páginas, no dia 18 de novembro no escritório Marzagão, Amaral e Leal Advogados Associados, de São Paulo. No documento, ele contou em detalhes como entrou na igreja nos anos 70 pelas mãos do líder Edir Macedo, os métodos de arrecadação da igreja e a suposta falsificação de sua assinatura em inúmeros documentos.
    Seis dias depois de lavrar a escritura, passo inicial de uma futura ação judicial por cobrança de débito, Abrão, 81, foi encontrado caído no corredor do prédio em que vivia, no Rio de Janeiro, com um ferimento na cabeça. Ele morreu dois dias depois no hospital Souza Aguiar. A polícia investiga a morte.
    Abrão anexou à declaração documentos que demonstram que, enquanto esteve ligado à igreja, ele realizou movimentações financeiras muito acima da sua capacidade. Por isso, foi autuado pela Receita Federal.
    No auto da Receita, Abrão aparece como tomador de 20 empréstimos, no valor de Cr$ 25 bilhões (aproximadamente R$ 7 milhões em valores atuais), assinados entre 1992 e 1993 com as empresas offshore Cableinvest e Investholding, sediadas nas Ilhas Cayman.
    Os empréstimos nunca foram pagos. Segundo Abrão, eram operações forjadas para internar dinheiro que havia saído do Brasil por meio de doleiros em operações de “dólar-cabo”, um sistema clandestino de remessa de capitais.
    As empresas Cableinvest e Investholding são as mesmas que estão no centro da denúncia oferecida pelo Ministério Público de São Paulo, em agosto, contra o líder da Universal, Edir Macedo, e no pedido de cooperação internacional protocolado pelos promotores de Justiça nos Estados Unidos.
    Em 1997, a Receita cobrou de Abrão R$ 1,8 milhão, referente à multa sobre o imposto devido. Ele atribuiu a essa multa e às demais cobranças a decisão de registrar o seu depoimento.
    Abrão contou ter entrado na igreja em 1977, quando ainda se chamava Igreja da Bênção. Ele afirmou que Macedo tinha o controle total da arrecadação. “Tanto na Iurd como na casa do bispo Edir Macedo, o dinheiro era contado e repassado para os doleiros que o encaminhava para o exterior”, disse Abrão.
    O aposentado narrou ter sido convidado por Edir para se candidatar a vereador no Rio, em 1988. “Na ocasião eu não sabia que o convite (…) iria sair tão caro para mim e que meu nome seria usado para ser o maior laranja da Igreja Universal.”
    A partir daí, ele e sua mulher apareceram como fiadores de aproximadamente 660 contratos de aluguel de prédios para templos. Alguns aluguéis atrasaram, e o casal passou a ser executado judicialmente.
    Abrão descreveu a atuação dos parlamentares apoiados pela igreja: “O objetivo era fazer com que os políticos que foram eleitos pela Iurd aumentassem a arrecadação dos seus gabinetes, exigindo dinheiro dos interessados para aprovação de qualquer projeto que fosse necessário voto no plenário ou simples apoio político”.
    Nas reuniões com políticos, segundo ele, “o bispo Rodrigues ou o bispo Macedo sempre iniciavam o encontro perguntando se havia saído alguma coisa “boa” para eles”. O ex-deputado Carlos Rodrigues deixou a igreja depois de ser citado no mensalão, em 2005.
    Abrão deixou igreja e se afastou da política. “Meu gabinete nunca alcançava as metas por não concordar em votar de acordo com os interesses da igreja ou cobrar por apoio”.
    Em dezembro de 1997, o ex-vereador foi procurado por um auditor da Receita. “Verifiquei, pelas cópias que recebi, que todas as assinaturas dos requerimentos e da procuração que estavam no processo da Receita pedindo a juntada de documentos para atender as exigências do Fisco, em meu nome, eram falsas”, afirmou Abrão.
    Ele disse que procurou “acertar as contas” com a igreja por telefone, por cartas e reuniões, mas não obteve resposta.

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