O futuro das religiões

13

Há um processo em desenvolvimento, uma nítida adaptação religiosa, secular. Vivenciamos um período em que tudo passa rapidamente, como a tecnologia e a própria religião. Nada é exatamente estático, intocável, imutável. Os recentes pronunciamentos do papa Francisco, em que dá sinais de uma possível mudança ou inclinação à Pós-modernidade, por parte da Igreja Católica é um claro sinal de que as religiões passam por um processo de mutação, de conformação com a sociedade. O Estado pontifício não mais detém o mesmo poder do período medieval, ou mesmo da Idade Moderna, a exemplo do que ocorre em um pequeno país, menor da América do Sul, chamado Uruguai.

O Uruguai, oficialmente chamado de Republica Oriental do Uruguai, possuí uma população de 3,5 milhões de pessoas, das quais 1,5 milhões vivem em Montevidéu e região metropolitana. Mas o que há de especial em um país cuja população é quase quatro vezes menor do que a do município de São Paulo? A resposta está no fato de que o Uruguai possui uma das políticas mais liberais do continente. Apesar de contar com 47% de católicos a Republica do presidente e ex-guerrilheiro Mujica, possui um histórico de processos liberais, como a aprovação do divórcio (1907), o voto feminino (1927), o aborto com até 12 semanas de gestação (2012), o casamento homoafetivo e a legalização do uso da maconha (2013). A eutanásia também é uma pauta a ser discutida.

Não obstante a presença de diversas religiões no País, o laicismo é um tema levado a sério. Há restrições ao ensino religioso (foi regulamentado há mais de um século); são proibidos símbolos religiosos em hospitais e demais repartições públicas; não há capelães nas Forças Armadas; o casamento religioso não é reconhecido pelo Estado; não há feriados religiosos e o Dia de Reis é chamado de Dia das Crianças e o Natal é conhecido como o Dia da Família. Apesar de reconhecidamente laicos, os Estados Unidos e o Brasil ainda possuem resquícios da influência religiosa, como a presença de crucifixos em tribunais, câmaras e assembleias legislativas. Há de se acrescentar o fato de que as discussões políticas também são influenciadas pela religião.

O Uruguai é, portanto, um exemplo de pais cuja política supervaloriza o secular, o laico, em detrimento ao religioso. Não é a fé propriamente o foco do governo, mas a laicidade do Estado, das instituições públicas. A religião, por outro lado, tende a ceder às tendências sociais, como o verificado em algumas igrejas protestantes históricas (nos Estados Unidos e na Europa ocidental), como na Igreja Metodista, Presbiteriana, Anglicana. No Brasil, a ordenação das duas primeiras evangelistas pela Assembleia de Deus Madureira também é um indício de que mesmo as correntes mais conservadoras, pentecostais, são susceptíveis à dinâmica mundial, motivada por políticas de inclusão da mulher. São casos diferentes, mas que refletem uma tendência mundial.

Aos poucos as religiões irão se adaptar à sociedade, seja por força do Estado, por estatísticas sociais, ou mesmo por reinterpretações de sua doutrina ou filosofia. A Igreja Católica é um exemplo de que deverá, de fato, ceder as políticas internacionais relacionadas à legalização do aborto, do casamento ou união homoafetiva. Mesmo às religiões mais fechadas, dogmáticas, passam por um processo de adaptação, de mudança. O desmantelamento das repúblicas islâmicas, a aproximação de algumas com os EUA, a ocidentalização do Oriente e mesmo as divergências doutrinárias características das correntes islâmicas, seguem uma tendência universal de mudança, que resultará em readaptação e em uma maior abertura ao Ocidente. No extremo oriente, a Coreia do Sul e o Japão são outros exemplos de ocidentalização, nos costumes e também na religião.

 

13 COMENTÁRIOS

  1. O mundo evolui, assim como todos os pensamentos. A condição sexual de uma pessoa é uma caracteristica dela, assim como a cor de seus olhos ou a cor de sua pele. É algo que acontece naturalmente e em tempos que certos pastores marginalizam os gays, chega Francisco é dá um show de amor, humildade, carinho e respeito. Tiro meu chapéu para ele!

    • As pessoas buscaram as teologias do século passado: Hoje a fé é material, as pessoas doam esperando prosperidade pra vida, doam tudo pra igreja!
      Ouve uma progressão
      Primeiro veio a teologia do “Jesus está voltando”, e deveria ser praticada toda santidade, logo depois, em 70 veio a teologia dos milagres de Jesus e agora “eu” recebo os milagres.
      Hoje Não é o homem que serve a Deus e sim Deus que serve os homens.
      As igrejas não tem mais fieis e sim clientes, há o paganismo, essas teologias trairam o cristianismo.
      A primeira onda petencostal o núcleo ainda estava intacto, na segunda houve o desagregamento, os evangélicos que seguem a teologia da prosperidade estão traindo a teologia do cristianismo, a teologia da prosperidade transforma as obras em manifestação material da fé, o que importa é a obra , que você dê alguma coisa.
      Em segundo lugar existe a traição do cristianismo , a teologia da prosperidade não exige uma vida moral reta, diferente do petencostalismo clássico, o que temos no neopetencostalismo é a tendeência de acentuar que o importante é a oferenda em troca da prosperidade. Isso é quase um despacho, só que ao invés de ser na encruzilhada é no cartão. Você paga os serviços e deus lhe repassa os milagres.
      A teologia básica do Cristianismo é:
      DEUS, QUE SEJA FEITA A TUA VONTADE!
      A teologia de hoje é:
      deus, que seja feita a minha vontade.

      O Feitiço voltou contra o feiticeiro, antes acusavam os católicos de pagãos e hoje os evangélicos é que se paganizam.

      O protestantismo colhe do próprio veneno.

  2. Deus e religiões surgiram quando o homem observou, sem entender certos fenômenos naturais, e os atribuiu, sem provas, a um ente onipotente e imaginário. Através dos milênios, o homem foi evoluindo culturalmente, e obviamente arrastou nessa evolução seus deuses e religiões. Isto deverá continuar no futuro, e penso que humanidade sem religião ainda está muito distante, pois evolução é um processo lento e desigual.

    • Pitágoras, como um admirador da razão (diferente de mim, que afirmo baseado na minha fé), deveria acrescentar o “possivelmente”, “provavelmente”, ou colocar as referências dessa afirmação, caso contrário parece que você estava lá e viu como começaram as religiões, ou que tem uma fé como a minha (em algo que não pode provar).

      Enquanto os outros povos atribuíam tempestades e outros fenômenos naturais aos humores dos deuses, os israelitas compreendiam que haviam estatutos (mandamentos, leis naturais) que regiam a natureza, e que foram ordenados por Deus. Isso, hoje sabemos ser verdade, que até as partículas subatômicas, apesar da Teoria da Incerteza de Heisenberg, são regidas ainda por uma lei de probabilidades. E até a Teoria da Evolução, na qual muitos hoje atribuem como principal agente para a criação dos homens, o “acaso”, tem um estatuto pré definido (a sobrevivência dos mais aptos, a perpetuação das mutações que favoreçam os organismos, a evolução da complexidade dos organismos).

      A mais de 2000 anos, Jesus já pregou o estado laico (Dai a César o que é de César, e a Deus as coisas de Deus), enquanto ironicamente hoje seus seguidores se engajam na política para impor à sociedade seus princípios religiosos. A mais de 2000 anos era dito que a forma de adoração pura e imaculada era socorrer os necessitados na sua tribulação, e se manter longe da corrupção do mundo, e ironicamente ateus estão fundando igrejas e recolhendo dízimos.

  3. A mídia secular volta e meia escolhe um assunto tratar e deixar clara a sua posição diante de determinada situação. Para eles um assunto que sempre está em pauta para ser bombardeado é a Igreja Católica e sua tradição.Em meio à cultura do imediatismo, a tradição da Igreja é sempre vista como algo ultrapassado. Deste modo, ela é quase sempre o foco das atenções dos grandes, e também dos pequenos, veículos de comunicação mundanos.Se for traçada uma linha desde janeiro até hoje, vamos perceber o que sempre foi falado. Primeiro a renúncia de Bento XVI: enquanto ele dizia que seu pontificado teve “águas agitadas”, a imprensa secular afirmava que o Papa não aguentava os escândalos envolvendo o IOR (Banco do Vaticano) e a perda de fiéis. Após a eleição de Francisco, quantos elogios a imprensa fez ao novo pontífice. E, novamente, quantas críticas infundadas e comparações sem nexo os veículos seculares inventaram para tentar denegrir a imagem de Bento XVI.

    Estamos em setembro. No próximo mês, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza a Semana Nacional da Vida (1 a 7 de outubro). Há poucos dias desse evento, um programa de determinada emissora, cujo nome não vou mencionar, levou ao ar o tema do aborto. A Igreja celebra e promove a vida, já a mídia secular, muitas vezes, promove, enaltece e busca propagar a cultura de morte. Para variar, ainda dizem que ao ser contra o aborto a Igreja está cometendo um crime.

    É importante saber que há nos veículos de comunicação de massa uma grande capacidade de influenciar o pensamento, falar e agir da população. Sem muita dificuldade eles fazem as pessoas mudarem de opinião. Você já dever ter escutado alguém dizer que é contra alguma coisa e no outro dia, após essa pessoa ter assistido um jornal ou programa de TV, afirmar que agora é a favor. Aí vem a pergunta: o que tem o rádio, a TV, a internet de tão poderosos?

    A resposta é complexa e infelizmente não sou apto para responder essa pergunta. Porém, um conselho cabe muito bem: é preciso aprender a moderar as informações que chegam da mídia até nós, principalmente as que vão contra o que diz a Igreja seja ela qual for. Para assuntos cristãos, busquemos os veículos apropriados.

    Quanto ao Uruguai, aconteceu o mesmo na Espanha e em Potugal, e o que vemos hoje é a reconsideração dos dois países europeus quanto ao aborto, políticas lgbt e os danos o causados pelo laicismo radical.

    • As pessoas buscaram as teologias do século passado: Hoje a fé é material, as pessoas doam esperando prosperidade pra vida, doam tudo pra igreja!
      Ouve uma progressão
      Primeiro veio a teologia do “Jesus está voltando”, e deveria ser praticada toda santidade, logo depois, em 70 veio a teologia dos milagres de Jesus e agora “eu” recebo os milagres.
      Hoje Não é o homem que serve a Deus e sim Deus que serve os homens.
      As igrejas não tem mais fieis e sim clientes, há o paganismo, essas teologias trairam o cristianismo.
      A primeira onda petencostal o núcleo ainda estava intacto, na segunda houve o desagregamento, os evangélicos que seguem a teologia da prosperidade estão traindo a teologia do cristianismo, a teologia da prosperidade transforma as obras em manifestação material da fé, o que importa é a obra , que você dê alguma coisa.
      Em segundo lugar existe a traição do cristianismo , a teologia da prosperidade não exige uma vida moral reta, diferente do petencostalismo clássico, o que temos no neopetencostalismo é a tendeência de acentuar que o importante é a oferenda em troca da prosperidade. Isso é quase um despacho, só que ao invés de ser na encruzilhada é no cartão. Você paga os serviços e deus lhe repassa os milagres.
      A teologia básica do Cristianismo é:
      DEUS, QUE SEJA FEITA A TUA VONTADE!
      A teologia de hoje é:
      deus, que seja feita a minha vontade.

      O Feitiço voltou contra o feiticeiro, antes acusavam os católicos de pagãos e hoje os evangélicos é que se paganizam.

      O protestantismo colhe do próprio veneno.

  4. Resumindo é a nova era injetando na sociedade mundial que tudo leva a Deus. Não importa o segmento fico estarrecido com os programas globais unindo candomblé, espiritismo e cristianismo ao qual todos podem viver em harmonia, santa ignorância o mundo jaz o maligno e aquele que for amigo do mundo será inimigo de Deus. Jesus é o caminho a Verdade e a Vida, ninguém vai ao Pai a não ser por ele.

    • Para com isso Edson!

      Hoje em dia qualquer um é pastor, qualquer um “cria” uma doutrina.
      Não queira culpar o pessoal do candomblé ou do espiritismo/espiritualismo por algo que o Cristianismo tem destruído.

      Tu sabe que hoje o Cristianismo está desvalorizado, sabe que há um comércio com Deus, sabe que pastores enriquecem, sabe que o povo que vai nas igrejas são ignorantes e que doam até a alma pros pastores pois pensam e acreditam no Deus comercial.

      Doutrina não existe. Hoje só o que há é o nome “renovada”. ]

      Renovaram tudo o que era cristão.

      Chega, acabou a igreja, acabou a religião.
      As pessoas têm capacidade de conseguir as coisas sem fazer de Deus um comércio.

      Deixe o evangelho puro agir e não coagir.

  5. Hoje na igreja evangélica você pode se separar e casar quantas vezes quiser.

    Hoje podemos usar as roupas da moda.

    Hoje valorizamos os artistar e são nosso ídolos.

    Hoje fazemos um aceitável comércio com DEus, e ele gosta

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here