Mulheres, negros e pobres como discurso na boca de oportunistas

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A velha estratégia de dividir para conquistar, tão bem difundida entre os partidos de esquerda mundo a fora, não é mais exclusividade de quem segue as cartilhas de Antonio Gramsci e seu marxismo cultural. Ela também faz parte de outros setores, que de tão afetados pelas décadas de doutrinação e aparelhamento ideológico no Brasil, já reproduzem de modo quase automático o apelo para a segregação racial, sexual e econômica. Uma tática que até candidatos considerados moderados no passado agora usam explicitamente em propaganda eleitoral.

Sempre que vejo algum desses candidatos se dirigindo ao público fazendo apelo por sua condição sexual e de gênero, como “sou mulher…”, de raça, “sou negra…”, ou econômica, “fui pobre”, fico me perguntando como essa pessoa pretende atuar em favor da população, já que a sua visão não lhe permite enxergar o povo simplesmente como pessoas comuns, seres humanos, cidadãos, iguais em direitos e deveres, mas com rótulos políticos e ideológicos estampados na testa.

Sempre que um candidato tenta se destacar precisando fazer uso da sua condição de gênero, economia ou pela cor da sua pele, ele está mostrando para a população como enxerga os demais, que é de forma diferente e segregacionista. Temos a ideia de que a discriminação de gênero, sexual e econômica só existe entre os extremistas e promotores da violência, mas a verdade é que ela também está no discurso dos que se apresentam como ilustres defensores da “justiça social”, da “diversidade” e “igualdade”. A diferença é que eles mascaram a visão discriminadora que possuem com esses ideais, floreando o que, na prática, significa mais segregação.

Não somos massa de manobra! Não podemos deixar que oportunistas usem o nome das mulheres, da população negra e dos mais pobres para criar divisão entre “nós e eles”. A igualdade de direitos nos transforma em um só povo, por isso também sou favorável à política de cotas sociais, que diferente da racial e de gênero, não faz distinção entre seres humanos, mas sim de condição econômica. Nesse caso todos podem se beneficiar, independente da cor da pele ou do gênero sexual. Isso é favorecer a população visando lidar com um problema comum, que é a crise econômica, ao mesmo tempo valorizando a competência de todos sem qualquer distinção.

Unidos em objetivos

Os problemas que enfrentamos envolvendo questões de gênero e raça, como a violência doméstica e a discriminação, são de todos nós, já que é um dilema humano, cultural e político. Para lidar com ele, no entanto, não podemos cair no apelo de candidatos oportunistas que exploram a questão sob o ponto de vista da segregação, induzindo a população a acreditar numa luta de classe, gênero e raça que nenhum de nós está interessado, salvo quem realmente deseja dividir para dominar.

A luta pela justiça social e igualdade de direitos é mais eficaz quando ressaltamos na sociedade a consciência de unidade. No lugar de promover um olhar discriminador, baseados no que recentemente uma candidata disse ser fruto da “dívida histórica”, devemos valorizar a criação de oportunidades para toda a camada social, garantir o cumprimento das leis e da equidade em favor do que todos nós queremos, como o direito à vida, saúde, educação, segurança e moradia.

Uma sociedade dividida não produz riqueza, muito menos igualdade e tolerância. No lugar de transformar diferenças em abismos, devemos destacar o que para todos é de suma importância, como a proteção da família, consequentemente das crianças, a liberdade religiosa e de expressão, o combate a corrupção, a intolerância contra a violência e a qualidade do ensino escolar e cultural. Sem esta base comum solidificada, os problemas sociais apenas aumentam.

Portanto, quero me colocar aqui antes de tudo como cidadã, dizendo que ninguém fala por mim enquanto mulher. Eu falo por mim e minhas convicções, acreditando que o melhor caminho para um país mais justo e próspero não está na exploração das classes sociais, no apelo às diferenças do sexo ou ao pobre, mas no olhar igualitário, construtor de oportunidades, acolhedor e de uma só identidade, que é a de brasileiro!

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Marisa Lobo é psicóloga clínica, escritora, pós-graduada em saúde mental, conferencista realiza palestras pelo Brasil sobre prevenção e enfrentamento ás drogas, e toda forma de bullying, transtornos psicológicos, sexualidade da familia, entre outros assuntos. Teóloga, ela é promoter e organizadora da ExpoCristo realizada no Paraná. Marisa é casada, tem dois filhos e congrega na IBB em Curitiba.

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