Mourão está certo: a figura paterna é crucial para a educação moral dos filhos, segundo a ciência

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Não adianta dar crédito para a grande imprensa quando a matéria está mais concentrada em promover polêmicas do que verdades. O que fizeram com a declaração do general Hamilton Mourão sobre a falta da figura paterna e suas consequências na vida dos filhos é um exemplo disso, quando a ênfase deixou de ser a realidade social e psicológica para se tornar um discurso politicamente correto em favor do feminismo.

A declaração de Mourão na última segunda-feira, no Sindicato da Habitação, em São Paulo, merece ser analisada porque o conteúdo é muito relevante para todos nós, pois ele trás uma realidade que demonstra o quanto o papel da família na sociedade é importante na formação de caráter dos nossos filhos, algo que afeta, sim, os índices de criminalidade no país.

Mourão disse: “Família sempre foi o núcleo central. A partir do momento que a família é dissociada, surgem os problemas sociais que estamos vivendo e atacam eminentemente nas áreas carentes, onde não há pai nem avô, é mãe e avó. E por isso torna-se realmente uma fábrica de elementos desajustados e que tendem a ingressar em narco-quadrilhas que afetam nosso país”.

Em primeiro lugar é possível observar que a ênfase dada por Mourão não foi sobre a capacidade de uma mãe ou avó educar, mas sim sobre a dissociação familiar. Ou seja, separação e consequente ausência dos membros da família, o que para nós cristãos é visto como uma desestruturação. É o que também chamamos na psicologia de “famílias disfuncionais”. Esse é o ponto central na fala do general, a disfuncionalidade dos papéis gerados pela ausência paterna.

Em segundo, a crítica não é sobre a criação dos filhos apenas com avós ou mães, mas sobre a desestruturação familiar. Quando ele disse, “é por isso…”, se referiu à dissociação na família e não a educação da mãe ou da avó, como a grande imprensa e suas matérias tendenciosas fizeram parecer. Mas, apesar de tudo, até que ponto a declaração de Mourão está correta do ponto de vista científico, e até onde isso importa para todos nós, principalmente os cristãos?

Coerência

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar em 2009, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fez um levantamento de informações sobre o perfil dos alunos do país e citou algumas características familiares, citando que “o conhecimento dos pais ou responsáveis sobre os diversos fatos da vida dos filhos (saber o que fazem no tempo livre, onde vão quando saem, quais são as suas amizades) é um importante fator de prevenção de condutas de risco, os quais são minorados na medida em que os pais, ou responsáveis, se envolvem na supervisão das atividades dos adolescentes”.

Ou seja, a presença dos pais é algo indispensável para diminuir o risco dos filhos desenvolverem comportamentos de risco, como o ingresso no mundo da criminalidade e o abuso de drogas. Isso já foi confirmado também por Edward J. Murray décadas atrás, na obra “Motivação e Emoção”, quando o autor falou sobre os efeitos psicológicos sobre crianças criadas em orfanatos, ou seja, sem a presença das figuras paterna e materna. Segundo ele:

“As crianças mais velhas, criadas nesse tipo impessoal de instituição, possuem uma personalidade perturbada e socialmente hostil. Tem pequeno controle sobre os impulsos agressivos e exibem várias formas de comportamento imaturo, delinquente e anti-social”.

O que está em questão é como a presença ou ausência dos pais afetam psicologicamente e socialmente a perspectiva de vida das crianças e adolescentes. Porém, qualquer cidadão minimamente informado sabe que boa parte das famílias disfuncionais sofrem com o abandono paterno. É o homem quem possui maior facilidade de se “desapegar” e largar seus filhos, não a mãe. Consequentemente, quando esses autores falam de filhos que sofrem em consequência dos pais, esse contexto aponta muito mais para a figura paterna e os problemas gerados por ela, de modo que “embora não se possa pensar de maneira linear, comportamentos antissociais em pais podem servir de preditores para condutas antissociais, nos filhos”, é o que defende um estudo chamado “Delinquência Juvenil e Família”, publicado em 2013 por Maria de Lourdes Bersogli PaulaI e Francisco B. Assumpção Jr.

Nessa pesquisa, os autores explicam que “comportamentos delitivos” estão “muitas vezes associados a abuso ou negligência parental, bem como a ambientes desorganizados e instáveis ou a pais com psicopatologia associada”, destacando que existe um “número elevado de famílias desorganizadas na população delinquencial, o que pode ser considerado um fator permanente de estresse para a população infantil, uma vez que não pode recorrer a um familiar quando se sente ameaçado ou em dificuldades”.

Mourão tem razão

Há inúmeros estudos que confirmam a declaração do general Mourão. Os que citei são exemplos, e em diferentes épocas, exatamente para ilustrar o quanto essa é uma realidade já bastante conhecida. Além das pesquisas específicas sobre o tema, vários teóricos da personalidade humana, especialmente da corrente estruturalista, também ajudam a compreender esse fenômeno.

Em todo caso, o mais importante para nós é compreender que essa verdade da ausência paterna e famílias disfuncionais precisa ser debatida e combatida por todos nós, especialmente os cristãos. O que justifica o aumento no número de divórcios, por exemplo? A gravidez precoce, uso também precoce de drogas, a banalização da sexualidade e dos relacionamentos amorosos em geral, tudo isso diz respeito ao ambiente familiar e os homens possuem um papel crucial para a saúde da família.

É perfeitamente possível que mulheres guerreiras, corajosas e inteligentes dêem conta da vida sozinhas, com filhos, trabalho e outros compromissos. Sim, nos somos capazes! Mas esse não é o contexto psicológico e afetivo ideal para a formação de personalidade de uma criança. Em nossa perspectiva cristã, Deus criou homem e mulher para caminharem juntos, sendo referências para os filhos, de modo que eles possam se inspirar na figura masculina do pai e feminina da mãe, cada qual ao seu modo e tempo de amadurecimento. Isso é bom para as crianças, bom para os pais e também para a sociedade, porque certamente terá jovens emocionalmente mais estáveis e moralmente equilibrados, como sugere o general.

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Marisa Lobo é psicóloga clínica, escritora, pós-graduada em saúde mental, conferencista realiza palestras pelo Brasil sobre prevenção e enfrentamento ás drogas, e toda forma de bullying, transtornos psicológicos, sexualidade da familia, entre outros assuntos. Teóloga, ela é promoter e organizadora da ExpoCristo realizada no Paraná. Marisa é casada, tem dois filhos e congrega na IBB em Curitiba.

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