Alerta aos pais: jogo ‘Momo do WhatsApp’ é um risco para crianças e adolescentes

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Um novo tipo de “jogo” está sendo espalhado pelo mundo. Na verdade, alguns dizem que é uma espécie de bot para WhatsApp, que utilizando inteligência artificial cria um perfil falso para interagir com a pessoa que adicionar o seu número. Ele se chama “Momo” e é representado pela imagem horrorosa de uma estátua que fica em Vanilla Gallery, em Tóquio.

Segundo informações da rede BBC, coletadas através de um Twitter da Unidade de Investigação de Delitos Informáticos do Estado de Tabasco, no México, “tudo começou em um grupo de Facebook onde os participantes eram desafiados a começar a se comunicar com um número desconhecido”. Através desse contato, o personagem virtual lança desafios para a pessoa que interage com ele, nesse caso crianças e adolescentes são os alvos principais.

Durante os desafios, o Momo vai lançando imagens de violência e terror para as crianças. O objetivo é chocar, mas também ameaçar. Alguns usuários disseram que receberam ameaças do personagem. A coisa fica ainda mais preocupante porque a criança, inocente e muitas vezes influenciada pelos amigos, fornece informações pessoais da família para o Momo, ficando mais vulnerável às chantagens emocionais, psicológicas e até físicas, já que ainda não sabemos plenamente quem está por trás do “jogo”.

Rodrigo Nejm, da ONG Safernet, disse para a BBC que essa é “é mais uma isca usada por criminosos pra roubar dados e extorquir pessoas na internet”. Alguns usuários acreditam que o número está vinculado a pessoas localizadas no Japão, Colômbia e México, mas é difícil identificar quem está por trás dos perfis e suas verdadeiras intenções.

Vulnerabilidade emocional das crianças e adolescentes

O meu alerta para os pais não é por acaso, pois no ano passado vimos o que esse tipo de conteúdo viral pode fazer com os jovens. O jogo que ficou conhecido como “Baleia Azul” provocou o suicídio de vários adolescentes ao redor do mundo. Cheguei a participar de uma audiência pública no Congresso Nacional para discutir medidas de prevenção a esse tipo de conteúdo. Com o passar do tempo, descobrimos que se tratava de pessoas mentalmente doentes e criminosas que usavam as redes sociais para induzir o suicídio entre os jovens através de desafios cada vez piores, tendo o terror também como uma marca. Ou seja, há uma semelhança muito grande com o atual Momo do WhatsApp.

Outros jornais alertam que o mesmo personagem, Momo, pode estar presente em jogos como o Minecraft, também muito usado pela garotada. É muito importante que os pais fiquem atentos ao que os filhos estão tendo acesso nas redes sociais e internet de modo geral. Não adianta negar o fato de que é difícil manter o controle e esconder esse tipo de conteúdo dos filhos, pois a velocidade com que essas informações são transmitidas é muito grande.

O elemento mais preocupante é a vulnerabilidade emocional de crianças e adolescentes, não por inocência, simplesmente, mas pelo próprio contexto cultural em que vivemos. Muitos desses jovens relatam sofrer de ansiedade, depressão e angústia, e essas condições emocionais podem facilitar o desejo de querer se aventurar em desafios que levam eles cada vez mais para baixo. Não é por acaso que o apelo para cenas de violência e terror é uma coisa constante. O terror é uma característica sombria que pode inspirar o desejo de morte em pessoas que passam por problemas emocionais.

Sendo assim, minha recomendação para os pais é que conversem com seus filhos sobre esses modismos da internet, mas, sobretudo, conversem sobre a forma como eles se sentem emocionalmente, porque crianças e adolescentes emocionalmente saudáveis dificilmente cedem a esses apelos maliciosos.

Procurem controlar, sim, o que seus filhos vêem na internet, incluindo as redes sociais. O tempo e horário que acessam, tudo isso é vital. Em nome da segurança dos filhos é perfeitamente legal restringir algumas liberdades e até a privacidade, se por acaso você, pai e mãe, sentir que é necessário. Mas não se esqueça, o diálogo precisa estar presente em todos os momentos, até na hora de criar limites. É compreendendo o sentido das coisas que os jovens obedecem com mais facilidade.

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Marisa Lobo é psicóloga clínica, escritora, pós-graduada em saúde mental, conferencista realiza palestras pelo Brasil sobre prevenção e enfrentamento ás drogas, e toda forma de bullying, transtornos psicológicos, sexualidade da familia, entre outros assuntos. Teóloga, ela é promoter e organizadora da ExpoCristo realizada no Paraná. Marisa é casada, tem dois filhos e congrega na IBB em Curitiba.

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