Quando a Oferta é Estranha no Altar…

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Quando Nadabe e Abiú se aproximaram do altar com braseiros profanos foram consumidos pelo “fogo santo” (Lv 10.1,2). Santidade é uma coisa muito séria na antiga aliança. A linhagem do sacerdote, suas vestes e aparatos, os utensílios o fogo tudo deveria ser percebido como pedagogia para lembrar a santidade de Yahweh e do seu povo.

Sobre isso, Jesus ensinou que o altar santificava a oferta (Mt 23.19). Embora não tenha proposto aos seus discípulos algum rito sacrificial, Jesus sugeriu que os que tivessem posses dividissem com os pobres. Alguns o fizeram voluntariamente (Zaqueu, Barnabé e outros anônimos). Um não foi capaz (o jovem rico) e outros simularam terem sido movidos pelo Espírito Santo a fazê-lo (Ananias e Safira). Ofertas em espécie passaram na bolsa que Judas carregava para suprir a confraria de Jesus e abençoar outros. Jesus praticava o que ensinava: recebia com uma mão, dava com a outra e não fazia propaganda.

Doar dinheiro fez parte do culto cristão desde os primórdios. Os discípulos de Jesus precisam observar a santidade desse gesto e conservar os bons costumes no trato com dinheiro. Igreja é coisa séria. Dinheiro é coisa séria. Igreja é coisa santa. Dinheiro na igreja é coisa santa. Não pode haver fogo estranho nem oferta estranha. Preserve-se o bom nome e a credibilidade de qualquer pessoa ou instituição que pretenda usar ou proclamar o nome de Jesus por meio da administração correta do dinheiro recebido.

No Brasil, as instituições religiosas desfrutam de imunidade tributária por contarem com o instituto da boa-fé. Presume-se que toda instituição religiosa tem boas intenções, busca o bem comum e age com ética e transparência. Os valores recebidos pelos religiosos são contabilmente chamados de prebenda, e devem ser suficientes para uma vida digna, porém modesta. Empresários tem seu pró-labore, sua parte no lucro das empresas. Acionistas das grandes corporações recebem seus dividendos. Instituições religiosas não visam nem distribuem lucros.

Líderes e os seguidores da religião devem zelar pela seriedade e transparência na prestação de contas. Devem estar conscientes de que o Ministério Público tem poderes constitucionais para fiscalizar as contas das instituições religiosas, mesmo que elas funcionem com regulamentação própria estabelecida por seus estatutos sociais. Os dirigentes são passíveis de responsabilização cível e criminal de suas ações. A lei vale para todos.

A procedência dos recursos financeiros da igreja cristã deve ser legítima, honesta. A doação deve ser espontânea, sem coação ou constrangimento. O doador não deve ter outro interesse que o da participação generosa. O recebedor não deve ter outro interesse que o emprego dos recursos nas finalidades estritas da entidade religiosa, visando o bem comum e, jamais, o enriquecimento dos seus líderes.

Igrejas genuinamente cristãs não devem aceitar dinheiro de origem ilícita. Não há como tornar santo dinheiro que proceda de tráfico de drogas, roubo, furto, extorsão, jogatina, propina. Não se promete o voto dos fiéis a partido político ou candidato a troco de favores ou dinheiro.

O fogo do altar queimará, jamais lavará dinheiro ilícito. Deus julgará quem não santificar o seu nome. As instituições julgarão quem cometer ilicitudes.

Que as obras de fé sejam boas para que se preserve a boa fé das instituições religiosas.

Pr. José Carlos da Silva
Pastor da PIB de Brasília e membro do Conselho Gestor da Aliança Cristã Evangélica Brasileira 

Fonte: Convenção Batista Nacional

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Raquel Elana, formada em Teologia, Pós Graduação em Jornalismo Político/ (Jornalista – MTb 15.280/MG) e Ministérios Criativos pelo IBIOL de Londres, é autora de 3 livros, entre eles: Anjos no Deserto - uma coletânea de testemunhos de mais de 10 anos de trabalho no Oriente Médio. Desde 2012 está envolvida com o trabalho de atendimento aos refugiados da guerra civil da Síria.

4 COMENTÁRIOS

  1. TERÇA-FEIRA, 14 DE JULHO DE 2015
    Emenda de Cunha livra Soares e Malafaia de dívida milionária

    Decisão beneficia
    comissões pagas
    aos pastores
    A emenda de ampliação de isenção tributária que Eduardo Cunha (PMDB-RJ) enfiou sorrateiramente na Medida Provisória 668 livrou os pastores R.R. Soares e Silas Malafaia do pagamento de uma dívida milionária.

    Assim, dois anos de investigação da Receita Federal envolvendo 178 igrejas foram jogados na lata do lixo.

    A maior dívida é a de Soares, chefe da Igreja Internacional da Graça de Deus, de R$ 220 milhões. O débito da Malafaia, dono da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, é de R$ 1,5 milhão.

    A emenda de Cunha é um “jabuti” porque usou uma medida provisória com a qual nada tem a ver para ser aprovada na Câmara Federal. A 668 se refere a tributos de produtos importados. Ela foi elaborada pelo governo para elevar a arrecadação tributária, e não para abrir mais o rombo dos cofres públicos, e essa é na prática a consequência da emenda.

    O prejuízo aos cofres públicos vai muito além do cancelamento da dívida de Soares e de Malafaia, porque o “jabuti” isenta de cobrança de impostos as comissões e prêmios que as igrejas pagam aos seus pastores, como se fossem ajuda de custo (transporte e moradia, por exemplo). As igrejas desfrutam de imunidade tributária, mas a Constituição não concede o mesmo benefício aos pastores.

    A Receita Federal apurou que alguns pastores, além de seu salário fixo, ganham comissões de até R$ 100 mil por mês por conseguirem elevar a arrecadação do dízimo e atrair mais fiéis.

    Lideranças evangélicas vinham atuando nos bastidores havia tempo para acabar com a cobrança de impostos nas comissões.

    Em abril, para tratar do assunto, houve uma reunião no gabinete do vice-presidente Michel Temer com a presença dele, do Cunha, Malafaia, R.R. Soares e do secretário da Receita, Jorge Rachid, entre outras pessoas. Rachid teria resistido à concessão do benefício, segundo a Veja.

    A revista informou que o texto da emenda foi redigido pelo pastor Abner Ferreira dentro da sede do Ministério da Madureira da Assembleia de Deus, igreja do Cunha.

    Com informação de Veja e de outras fontes.

    Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2015/07/emenda-de-cunha-livra-soares-e-malafaia-de-divida-milinaria.html#ixzz3shTU5EY8
    Paulopes informa que reprodução deste texto só poderá ser feita com o CRÉDITO e LINK da origem.

  2. Governo tenta reaproximação com evangélicos; Michel Temer se reuniu com Malafaia, R. R. Soares e Samuel Ferreira

    Publicado por Tiago Chagas em 5 de maio de 2015

    Governo tenta reaproximação com evangélicos; Michel Temer se reuniu com Malafaia, R. R. Soares e Samuel Ferreira
    Reunião de pastores e políticos que selou a aprovação da ampliação da isenção fiscal

    O governo da presidente Dilma Rousseff (PT) estaria tentando uma reaproximação com as principais lideranças evangélicas. Na última semana, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) teve um encontro com alguns dos principais opositores no meio evangélico, a fim de ouvir suas queixas.

    Desde o começo de abril, o vice-presidente vem exercendo a função de articulador político de Dilma junto ao Congresso Nacional.

    Segundo o jornalista Lauro Jardim, Temer contou com o intermédio do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), evangélico e presidente da Câmara, para se encontrar com as lideranças evangélicas.

    “As duas lideranças evangélicas mais anti-petistas do país tiveram um discreto encontro com Michel Temer […] Ciceroneados por Eduardo Cunha, o bispo Robson Rodovalho e o pastor Silas Malafaia falaram da necessidade da aprovação de uma Lei Geral das Religiões. O secretário da Receita Federal Jorge Rachid acompanhou a conversa”, escreveu Jardim, em sua coluna no site da revista Veja.

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    Além do pastor Silas Malafaia (Assembleia de Deus Vitória em Cristo) e do bispo Robson Rodovalho (Sara Nossa Terra), também participaram da reunião os pastores Mario de Oliveira (presidente da Igreja do Evangelho Quadrangular no Brasil e ex-deputado federal), Abner e Samuel Ferreira (Assembleia de Deus Madureira), Everaldo Pereira (PSC-SP) e o missionário R.R. Soares (Igreja da Graça), além do ex-deputado federal e atual ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e Eliseu Padilha (PMDB-RS), ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil.

    O governo vem se movimentando nos bastidores para garantir que os principais setores da sociedade sejam abordados pelos principais representantes do Congresso Nacional, a fim de tirar o foco das investigações da Operação Lava-Jato, que tem entre os principais suspeitos, políticos do PT e doações de empreiteiras que mantinham contrato com a Petrobrás ao partido.

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