No Brasil, o cristianismo irrelevante gerou políticos corruptos!

16

A irrelevância em questão não parte da igreja como agencia evangelizadora da sociedade, mas da sociedade como produto deste cristianismo majoritário brasileiro – e por este prisma a sociedade brasileira reflete bastante daquilo que temos oferecido como cristãos: um cristianismo irrelevante do ponto de vista político-social. É incompreensível como “50 milhões” de evangélicos e mais de “120 milhões” de católicos (juntos são quase 85% da população); fizeram do Brasil um país tão corrupto, violento e medíocre? Lembremo-nos que com a missão de Cabral na busca pelas Índias, ao descobrirem sem querer o Brasil e ao aportar aqui, chegou também à igreja. O cristianismo está aqui antes de nossas terras serem chamadas de Brasil e depois de cinco séculos – tornou-se majoritário no país; no entanto este mesmo cristianismo tem se mostrado incapaz de formar uma nação relevante por seus princípios, ideal e exemplos – a citar pelos políticos que tem.

A vergonhosa corrupção que parece ser endêmica e sistêmica aos políticos brasileiros não é só responsabilidade de combate da presidente Dilma, do Senado federal, da Câmara dos deputados, do supremo tribunal de Justiça, do Ministério Público estadual e federal – a culpa é da Igreja católica e dos protestantes; a responsabilidade é também dos evangélicos tradicionais, pentecostais e neopentecostais com o seu cristianismo vertical sempre omisso nos fundamentos de uma nação que agora está em crise! Nosso cristianismo majoritário foi incapaz de desenvolver qualquer educação de vida à política e que nos permita construir qualquer ponte sobre o abismo de incertezas que nossa gente atravessa por conta de seus representantes. O discipulado que temos oferecido tem produzido cidadãos que só vivem de extremos como movimentos à base da teologia da libertação, ou de fantasias como heresias e anomalias litúrgicas, culto a personalidades, mega vigilhões, sessões de descarrego, unções proféticas, correntes da vitória, discussões teológicas sem fim, campanhas de prosperidade, construções faraônicas, mercado e comércio da fé e todo tipo de “crente de quatro paredes” que só pensa em si e em seus sonhos de sucesso e realização pessoal – acorda igreja!

Nosso cristianismo é verticalizado, pouco fraterno, minimamente humanitário, irresponsavelmente apolítico e indiferente diante de várias necessidades sociais. Eu não acredito que a solução para o apagão moral e ético do país esteja nos discursos e projetos dos novos políticos cristãos – a menos que esses sejam feitos discípulos dessa nova e necessária “educação política que emerge do verdadeiro cristianismo”. A saída dessa crise de valores morais e políticos está no despertar para o autêntico e verdadeiro cristianismo – em ser uma igreja que interage com comunidade, que fala com os vizinhos, andarilhos, desempregados, jovens, crianças, executivos, políticos; que se importa com a saúde, educação, oportunidades; que reflita sobre a melhoria da rua, bairro, cidade e num contexto geral do próprio país – é onde temos falhado como cristianismo participante da construção de um Brasil melhor. Eu não proponho de jeito nenhum uma política que tenha como premissa só legisladores católicos ou evangélicos porque a história já mostrou onde isso vai dar (e também o Estado deve continuar laico e para todos) – a argumentação gira em torno dos fundamentos e valores do cristianismo na formação do novo caráter político brasileiro – é uma semeadura, é para nossos filhos e netos; e assim, eles serão mais brasileiros que nós (porque participarão do que interessa ao país e não só daquilo que interessa as nossas denominações).

Preocupa-me o fato de que a maioria dos políticos envolvidos nos esquemas de corrupção que ocorrem em nossa nação se declarem cristãos! Que tido de influência, instrução e formação cristã esses indivíduos receberam? O que foi que viram na igreja? Quais os ensinos que retiveram? As perguntas são muitas para uma triste e óbvia resposta: nada disso adiantou a essas pessoas. Eu sei que do ponto de vista bíblico elencaremos frações textuais que acentuam a dureza da natureza humana e sua corrupção – mas, a maioria dos políticos corruptos são cristãos – seria o nosso discipulado “muito mole” para esmiuçar “esses corações de dura cerviz”? Eu prefiro reconhecer que não preparamos nossos membros e congregados para a política e os deixamos a mercê de instruções social-comunistas ou neoliberais e essas bases invadem o lugar que já deveria estar ocupado por princípios sólidos de uma política fincada no amor ao próximo, honestidade e na justiça. Nossos políticos cristãos são exatamente aquilo que lhes demos – nada! São pouco efetivos, não representam o cristianismo (a menos que isso lhes interesse) e se a Polícia Federal despejar o balaio da corrupção brasileira – muitos outros estarão emaranhados lá. O que o cristianismo majoritário não foi capaz de dar ao Brasil, obviamente o país não tem; políticos que façam uma boa política!

O cristianismo brasileiro (já que é majoritário) precisa estabelecer os fundamentos e influenciar as mentes e comportamentos da nova geração de nossa terra através de um processo de formação que necessita começar dentro de nossos templos e que se estenda à sociedade – não como catecismo de nomenclatura religiosa, mas sobre as bases do Evangelho, visando desenvolver um caráter que fará política para o bem de todos e não para si mesmo. O cristianismo precisa combater a corrupção que articula em seus altares e púlpitos; que maquina em seus gabinetes; que arma esquemas políticos em seus sínodos, presbitérios e convenções. A corrupção que dominou a política brasileira é a mesma que antes, corrompeu muitos de nossos clérigos e pastores fazendo-os transformar nossas comunidades em propriedades e ministérios em heranças patriarcais. Para mudar a cara do Brasil é preciso tocar a alma da nação – e o instrumento de tocar almas – a Palavra de Deus – o verdadeiro cristianismo tem, só precisa começar a utilizá-lo também com o foco de influenciar quem fará a política brasileira nos tempos vindouros.

Padres, pastores, teólogos, conferencistas, dirigentes e professores é preciso abrirem espaço em vossas homílias, estudos, proposições, ministrações, orientações e ensinos para a política também. É preciso criar e estabelecer uma reflexão contínua sobre uma nova política que tenha como base a formação da pessoa – e não meramente a simpatia por um partido político ou ideologia social; se faz necessário discutir os problemas locais dentro de nossas comunidades e os rumos nacionais dentro dos valores e perspectivas do cristianismo. Pais e mães é tempo de conversarmos com os nossos filhos e também falarmos de política, de bases e princípios que poderiam transformá-la de fato numa ciência para o bem do povo e não numa oportunidade de roubar do povo. A igreja não é política, mas precisa influenciar a política de seu tempo com sua presença, personalidade e educação fornecida. Parece que nosso cristianismo majoritário incentiva à todas as profissões, menos a formação de políticos decentes – e essa omissão tem custado caro ao país.

Precisamos aguardar a volta de Jesus, mas não podemos negligenciar com a educação de nossos filhos e com o tipo de políticos que serão ou terão de lidar se até lá nosso Senhor não voltar.

Oremos por nosso país e autoridades e que Deus abençoe o Brasil e a cada um de nós!

COMPARTILHAR
Silvio mora na belíssima cidade de Guarapari no ES; é administrador de empresas por profissão; estudou teologia no Seminário SEET e na Faculdade FAIFA. É membro do conselho editorial da revista Seara News. Contribui como colunista em outros portais evangélicos e é palestrante em escolas bíblicas realizadas em seu Estado. Escreve também para o seu blog Cristão Capixaba e é o editor responsável pelo portal Litoral Gospel.

16 COMENTÁRIOS

  1. Infelizmente, o que hoje vemos no país foi patrocinado pela cnbb, que se aliou a bandidos, pregando o socialismo utópico, apoiando sistematicamente movimentos sociais, que de sociais nada tem, e por outros segmentos religiosos que tem colocado seus representantes apenas para levar vantagens. Não é possivel ver igrejas evangelicas, com bancadas no congresso apoiando a turma que atualmente assola o país.

  2. Acontece que antes do “novo caráter político brasileiro” temos que ter um novo caráter cristão, aquele que só Jesus pode dar através do Seu Espírito. Porque o cristianismo religioso é falso, e produz frutos podres. Esse “cristianismo” voltado para dogmas e liturgias elaborados por homens com interesses escusos, não é e nem nunca foi cristianismo. Como chamar de cristianismo a uma prática religiosa que, ao invés de ensinar a Palavra de Deus, ensina as pessoas a praticar sua falsa doutrina? O chamado “cristianismo brasileiro”, decididamente, não fundamentouseus dogmas na Palavra de Deus, e sim em palavras de homens que, na sua maioria eram, e são, corruptos ou corruptores. Eis ai o fracasso! A base do Evangelho é “… Ide port todo o mundo, e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. E estes sinais hão de seguir aos que crerem: Em Meu nome expulsarão demônios, falarão novas línguas; pegarão em serpentes;e quando beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal algum; imporão as mãos sobre os enfermos, e os curarão.” “Quem crê em Mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”. “E, indo, pregai, dizendo: O Reino dos céus está próximo. Curai osenfermos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça dai” Marcos 16:15-18; João 6:47 Mateus 10:7-8 A política começa dentro de casa, mas se a “casa” (família) estiver destruída, como será essa política?

  3. Religião e política não se misturam e isso para o bem do próprio cristianismo.

    A laicidade, por exemplo, é fruto da visão cristã de não misturar política e religião.

  4. Evangélicos fundamentalistas dominionistas se elegem dentro de uma visão teocrática do Estado quando passam a intrumentalizar a Bíblia e a religião para impor sua visão de mundo ao conjunto da população. Mas não terão êxito, pois o estado é laico.

    • O que Jesus fez com a política de Roma no seu tempo? Será que Jesus tentou de algum modo influenciar a política? Tentou derrubar o governo de Roma? Ou tentou eleger algum politico para cargos governamentais? Nem Jesus e nem seus discípulos se envolveram na política de seus dias. Foi somente no terceiro século que vemos o “cristianismo” se envolver na política. Dá para pensar não é verdade?

  5. Muitos parlamentares evangélicos estão respondendo a processos na Justiça, sendo que o atual presidente da Câmara, um membro da igreja Assembleia de Deus, teve seu nome incluso na lista do procurador Janot para investigação referente à operação lava jato. Isso constitui certamente um duro golpe na visão ingênua de evangélicos dominionistas.

  6. Em partes tenho que concordar, mas em parte não, pois nós sabemos que ninguém chega a o poder se Deus não quiser, logo entendo que o é permissão divina ou projeto do sr. ou abandono por nosso próprio pecado.
    Mas tenho plena convicção que aquilo que é concernente aos Cristãos e falo dos evangélicos, que aqui existe plano divino. Esperar para ver.

  7. eh a prova simples de que cristaos sao corruptos, como sempre foram.
    apegados a uma moral hipocrita que apenas julga os outros, mas que nada oferece internamente.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here