Suicídio: uma tragédia silenciada pelo tabu

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Suicídio ou autocídio (do latim, sui, ou do grego autos: “próprio” e do latim caedere ou cidium: “matar”) é o ato intencional de matar a si mesmo.

Nos últimos meses, temos sido impactados com o aumento de casos de suicídio em todo mundo, os motivos são variados e não obedecem a um parâmetro, um único motivo, alguns chocam mais por não ter aparentemente motivo – e esses merecem ainda mais cuidado, pois não nos dão sinais.

Aproximadamente 0,5% a 1,4% das pessoas morrem por suicídio, perto de 12 a cada 100,000 pessoas por ano. Idade entre 13 e 19 anos (35% dos adolescentes brasileiros entre 13 e 19 anos tem ideação suicida)ou depois dos 65;. Estima-se que haja entre 10 a 20 milhões de tentativas de suicídio não fatais a cada ano em todo o mundo.

O suicídio é a décima causa de morte no mundo, com cerca de um milhão de pessoas mortas anualmente. Em todo o mundo as taxas de suicídio aumentaram 60% nos últimos 50 anos, principalmente nos países em desenvolvimento. A maioria dos suicídios do mundo ocorrem na Ásia, que é estimada em até 60% de todos os suicídios do planeta. Segundo a Organização Mundial da Saúde,

Qualquer pessoa pode ser vitima dessa auto agressão fatal, homens, mulheres, adolescentes, idosos, de qualquer classe social ou país. O suicídio não obedece uma regra, porém vemos que na atualidade com aceitação do suicídio como direito em alguns países, tem havido um aumento assustador.

No ocidente, os homens morrem muito mais frequentemente por meio de suicídio do que as mulheres, embora as mulheres tentem o suicídio com mais frequência. Especialistas acreditam que isso decorre do fato de que os homens são mais propensos a acabar com suas vidas através de meios eficazes de violência, principalmente quando as mulheres usam métodos mais lentos, como consumo excessivo de medicamentos.

Um estudo encontrou maior frequência de suicídio entre pessoas com famílias desestruturadas e após rompimentos de relacionamentos amorosos entre jovens.

Quanto a biologia, para boa parte dos especialistas, a genética tem um efeito sobre o risco de suicídio responsável por 30-50% de variância. Grande parte deste relacionamento atua através da hereditariedade da doença mental, outros afirmam que a hereditariedade é polêmica, alguns autores alegam que é apenas consequência de viver com pais com transtornos mentais (e esses sim seriam hereditários).

Há muitos fatores que podem levar uma pessoa ao suicídio?

Sabe-se que quem atenta contra sua vida acredita estar, supostamente, pondo um fim às suas dores, frustrações ou sofrimento. Sim, muitos que tentam contra sua vida tem um sentimento de desesperança, e acreditam erroneamente que a morte pode aliviar esta dor.

Muitos dizem que é covardia, já eu penso que tem que se ter muita coragem para pôr fim a uma vida de uma forma tão violenta. Não há agressão maior do que esta.

Fatores de risco

Entre os fatores de risco, os mais comuns são transtornos mentais e/ou psicológicos como depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, uso e abuso de drogas – incluindo alcoolismo e uso de benzodiazepinas.

Uma pessoa pode atentar contra sua vida, como resultado de atos impulsivos devido ao stress e/ou dificuldades econômicas. Problemas de relacionamentos ou bullying também merecem a nossa atenção.

Casos de suicídio na família e pensamentos suicidas com tentativas anteriores podem, em um momento de desespero, levar uma pessoa a atentar contra sua própria vida.

Nada justifica, porém, que a pessoa que esteja passando por um stress emocional muito grande, e não tem estrutura psicológica para enfrentar uma situação dramática, associada a comorbidades e a falta de esperança, cometa esse crime contra sí mesmo.

Como prevenir o suicídio?

As medidas de prevenção do suicídio passam pela restrição de acesso a métodos de suicídio, como armas de fogo, drogas ou venenos, mas o principal seria o tratamento de transtornos mentais e toxicodependência.

Incentivar a fé, a convivência com pessoas emocionalmente saudáveis e grupos de ajuda mútua, apresentação de exemplos e reportagens apropriadas sobre casos de suicídio, com mensagem de otimismo, ajudam muito.

Ajudar a pessoa a melhorar suas condições econômicas também podem prevenir, se o caso estiver ligado a questão financeira. A Associação Americana de Suicidologia e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano (CDC) defendem que aprender sobre o suicídios, sinais de alerta sobre ideação, fatores de risco e proteção, e como intervir em crises são importantes medidas de prevenção

Ideação suicida

A psicologia aponta que existem e vários comportamentos que indicam a possibilidade de ideação suicida, como por exemplo o relato de querer desaparecer, querer dormir para sempre, vontade de ir embora e nunca mais voltar ou mesmo objetivamente o relato do desejo de morrer, devem ser considerados indícios significativos e levados a sério mesmo quando as ameaças são em tom de brincadeira.

Família e amigos devem ficar alerta para pessoas com ideação suicida que começaram a usar antidepressivos. Medicação antidepressiva – apesar de diminuir a ideação a longo prazo – nos primeiros meses aumenta bastante os riscos, ao melhorar a capacidade do indivíduo de tomar decisões e tomar atitudes, e por isso precisa de acompanhamento constante.

“Os transtornos mentais são frequentemente presentes durante o momento do suicídio, com estimativas de 87% a 98% dos casos. Transtornos de humor estão presentes em 30%, abuso de substâncias em 18%, esquizofrenia em 14% e transtornos de personalidade em 8 a 20% dos suicídios. Estipula-se que entre 5 e 15% de pessoas com esquizofrenia morrem de suicídio”.

Importante saber!

Induzir, estimular, dar dicas ou apoiar de qualquer outra forma o suicídio de outra pessoa é um crime em vários países ocidentais, considerado como uma forma de homicídio doloso (intenção de matar). Essa punição leva em conta inclusive quando o estímulo é feito na internet. No Brasil o artigo 122 do Código Penal prevê reclusão de dois a seis anos para quem induz, instiga ou ajuda alguém a cometer suicídio, ou reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.

As interpretações acerca do suicídio têm sido tratadas sob amplos pontos de vista culturais, mais especificamente em temas existenciais como religião, filosofia, psicologia, honra e o sentido da vida.

O que a Bíblia fala sobre suicídio?

A Bíblia menciona seis pessoas específicas que cometeram suicídio: Abimeleque (Juízes 9:54), Saul (1 Samuel 31:4), o escudeiro de Saul (1 Samuel 31:4-6), Aitofel (2 Samuel 17:23), Zinri (1 Reis 16:18) e Judas (Mateus 27:5). Cinco deles eram homens pecadores e perversos (não se sabe o suficiente sobre o escudeiro de Saul para fazer um julgamento a respeito de seu caráter).

Alguns consideram Sansão um exemplo de suicídio (Juízes 16:26-31), mas o seu objetivo era matar os filisteus e não a si mesmo. A Bíblia enxerga o suicídio da mesma forma que assassinato, pois isso é exatamente o que é – auto-assassinato. Cabe a Deus decidir quando e como uma pessoa deva morrer.

Há controvérsias se o cristão que comete suicídio perde a salvação ou não, mas uma certeza temos, que todos que tentaram na Bíblia não aguentaram o peso do pecado, viviam atormentados com o pecado.

Porém, há muitos depressivos na Bíblia, como por exemplo Elias, que não cometeu suicídio mas claramente pedia para sumir, ser arrebatado por não conseguir mais viver neste mundo, Deus o tratou mas no final o arrebatou…

Deixe Deus resolver seus problemas, se precisar Ele te leva. Mas só Ele tem esse direito.

O que precisamos entender com amor e sabedoria, é que muitos desses que tentaram suicido, na Bíblia, e outros lideres religiosos que se suicidaram hoje na atualidade, poderiam estar atormentados psicologicamente. Se estes tivessem tido a chance de se medicar, de se tratar adequadamente, nas quatro dimensões do problema ( bio-psico, social e espiritual) sem tabus, a depressão diminuiria e com certeza ainda estariam vivos.

Não condeno, não tenho esse poder e direito de condenar pessoas que se suicidaram – as famílias delas estão vivas , e sofrem -, porém tenho que dizer para aqueles que pensam em atentar contra sua vida, que lutem pela vida, pois é a única chance que temos neste mundo.

Nascemos para um propósito, e eu creio que o suicídio é um atentado contra o coração de Deus. Imaginem um pai terreno perder um filho pelo suicídio. Imaginou? Agora imagina o quando Deus sofre, em saber que para você o sangue de Cristo não tem poder na sua vida, que o sacrifício dele (João 3:16) foi em vão, quando pensarmos em atentar contra nossa vida, é n’Ele que temos que pensar, e encontrar força para lutar pela nossa vida ainda que pareça ser insuportável viver, e saiba que na maioria da vezes a depressão é química e melhora muito com medicamento.

Infelizmente muitos têm preconceito em aceitar essa verdade científica. E o diabo claro, se aproveita. Só há esperança quando ainda há vida. Nós todos juntos podemos mudar esta triste realidade, estando mais próximos, falando sem tabus dentro das igrejas, treinando pessoas para acolher os depressivos, os adictos, aqueles que sofrem desesperança.

Tratar os líderes religiosos, como seres humanos que são, que sofrem, se frustram. Não como super-herois ou semi deuses, pois não são. I Tessalonicenses 5:23: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”.

Nossa mente é afetada pelo pecado, mas também somos vítimas da nossa cultura, da sociedade, ou seja, de todos os problemas que são gerados pelo meio em que vivemos e pela nossa história. Temos que entender isso: nem sempre é espiritual, nem sempre é pecado. Podem ser transtornos, doenças, hereditariedade, cultura, sociedade, tudo que pode nos adoecer psicologicamente e espiritualmente, e temos que buscar ajuda psicológica e espiritual sem preconceito.

“Tenho-vos dito essas coisas para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflição, mas tende bom ânimo, eu venci” -João 16: 33.

Fonte:
O Manual Completo de Suicídio https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Manual_Completo_de_Suicídio
SANSANO, R. Suicídio: Buscando alternativas. Barcelona: Clie 1992.
Ministério da Saúde. Sistema de Informações sobre Mortalidade [SIM]- DATASUS (Online). Disponível em: http://www.datasus.gov.br
Klerman, G.L. – Clinical epidemiology of suicide. J Clin Psychiatry 48(12 suppl.): 33-38, 1987.
Vivian Roxo Borges & Blanca Susana Guevara Werlang (2006) ESTUDO DE IDEAÇÃO SUICIDA EM ADOLESCENTES DE 13 E 19 ANOS. PSICOLOGIA, SAÚDE & DOENÇAS, 2006, 7 (2), 195-209
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Marisa Lobo é psicóloga clínica, escritora, pós-graduada em saúde mental, conferencista realiza palestras pelo Brasil sobre prevenção e enfrentamento ás drogas, e toda forma de bullying, transtornos psicológicos, sexualidade da familia, entre outros assuntos. Teóloga, ela é promoter e organizadora da ExpoCristo realizada no Paraná. Marisa é casada, tem dois filhos e congrega na IBB em Curitiba.

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