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Rubem Alves, o Protestantismo Histórico e sua Crença em Deus

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Rubem Alves, o Protestantismo Histórico e sua Crença em Deus

Após alguns minutos de oração na capela do campus da Universidade Metodista de São Paulo, soube, através de alguns funcionários da instituição, que o teólogo e humanista Rubem Alves havia falecido. A notícia, somada a da perda de João Ubaldo, um dia antes, caiu como uma hecatombe no cenário intelectual brasileiro. São duas figuras de renome, de grande contribuição acadêmica, embora com algumas diferenças pontuais. Um mineiro, outro baiano, respectivamente, entram para a História dada suas inegáveis contribuições à compreensão da dinâmica religiosa e social do Brasil. A morte de Rubem Alves, no entanto, é de maior impacto por conta de seu posicionamento com relação ao pertencimento religioso, da maneira como determinados grupos religiosos entendem e influenciam a sociedade, estabelecem relações com o mundo contemporâneo. De certo que o mineiro radicado em Campinas passou por um processo conturbado em seu relacionamento com o presbiterianismo, com o qual, na década de 70, travou duros debates, levando-o a publicar, em 1979, o livro “Protestantismo e Repressão” (mais tarde, em 2005, “Religião e Opressão”). O presente artigo fundamenta-se na análise de Leonildo Silveira Campos: “O Discurso Acadêmico de Rubem Alves sobre o ‘Protestantismo’ e ‘Repressão’ algumas observações 30 anos depois” (2007/2008).

De intelectual, acadêmico, nos últimos anos Rubem Alves passou a se dedicar a uma linguagem mais leve, voltada ao dia-a-dia da sociedade, das necessidades da realidade em que os pobres se veem inseridos em uma mesma dinâmica, conjuntura social. Religião & Sociedade são as bases da análise de Alves desde pelo menos o fim dos anos 70, escrevendo em meio a Ditadura Militar. O que o autor e humanista procura fazer compreender é a necessidade de a Igreja ser mais progressista, aberta ao diálogo, compreensiva dos desafios sociais, presente na vida da comunidade, de seus membros. Profícuo escritor – é autor de mais de 120 livros -, conferencista e educador, Alves deixa como legado sua participação nos primeiros estudos do protestantismo histórico – antes apenas o catolicismo e as religiões de origem africana despertavam o interesse de intelectuais brasileiros.

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OLIVEIRA (1997:61) pontua que Rubem Alves ressalta a importância do surgimento do Protestantismo. Para ele, o espírito protestante não nasceu prisioneiro das amarras da instituição da razão, nasceu a partir da exigência dos corpos e sua teologia surge daquilo que as pessoas são. “De fato, o protestantismo tem muito a ver com a coragem para assumir a própria individualidade” (ALVES, Rubem. Dogmatismo e Tolerância. Loyola, 2004. p. 23). Os protestantes são marcados pela coragem de “[…} contrapor a voz da consciência individual à voz das autoridades constituídas” (Ibidem). Ao fazerem isso, completa OLIVEIRA, “os protestantes afirmam que o Espírito de Deus é livre e imprevisível. Ele não pode ser monopolizado pelas instituições. Essas ideias estão presentes na compreensão de que todas as pessoas que creem são sacerdotes”. Na prática, o que Alves e outros pensadores condenam, é a demasiada verticalização da fé, do estabelecimento de limites entre a fé e sociedade. Eles propõem uma teologia libertária, não menos espiritualizada.

De forma antecipada, Rubem Alves é o primeiro a notar a característica mercadológica como os primeiros grupos neopentecostais se apresentavam na década de 70. Dessa forma, o autor amplia seu foco de análise ao se dedicar ao estudo da nova fenomenologia religiosa. Assim, no decorrer dos anos 1970, foi ficando cada vez mais claro para Alves que uma mentalidade empresarial começava “a produzir e a distribuir bens espirituais” no Brasil e que a lógica capitalista, fundamentada nos valores de troca e no utilitarismo, poderia provocar o atrofiamento da razão crítica. Comentando um instigante texto de Monteiro sobre Igrejas, seitas e agências, Alves perguntava: Estamos diante de um “fenômeno religioso” ou de uma “espiritualização da economia”? Monteiro morreu logo após, mas os comentários de Alves e as questões levantadas por eles ainda perturbam e estimulam pesquisas sobre novos movimentos religiosos brasileiros, particularmente os de perfil “neopentecostal”, a fortiori, a IURD. (CAMPOS 1997:107). A IURD inaugura a terceira fase, de acordo com uma metodologia de divisão do pentecostalismo brasileiro, de Paul Freston.

Não obstante todas as contribuições acadêmicas, de compreensão da fenomenologia religiosa brasileira, Rubem Alves tem sido alvo de questionamentos por supostamente ter “abandonado a fé”, ou desenvolvimento uma “compreensão de Deus diferente da adotada pelo protestantismo”. Declaram-no ateu, agnóstico. Há sérias dúvidas quanto ao posicionamento teológico do autor, mas boa parte de seus mais de 120 livros versam sobre religião e teologia. Escreveu, dentre outros livros, “Creio na Ressurreição do Corpo”, “Pai Nosso”, “Da Esperança” e “O Deus que Conheço”, “Sobre o Tempo e a Eternidade”. Composto em forma de poema, “Pai Nosso”, de Rubem Alves, foi citado em setembro de 2013 no portal nacional da Igreja Metodista. Em “O Deus que Conheço” (2010, p.21), Alves deixa escapar: “Posso então responder à pergunta que me fizeram. É claro que acredito em Deus, do jeito como acredito nas cores do crepúsculo, do jeito como acredito no perfume da murta, do jeito como acredito na beleza da sonata, do jeito como acredito na alegria da criança que brinca, do jeito como acredito na beleza do olhar que me contempla no silêncio. Tudo tão frágil, tão inexistente, mas me faz chorar. Dizia o poeta Paul Valéry: ‘Que seria de nós sem o socorro daquilo que não existe?” Podemos classificá-lo como ateu, como agnóstico? Amigos próximos dizem que não. Permanece a dúvida e a indagação. O futuro e a pesquisa dirão!

1 COMMENT

  1. Patrulhamento teológico, ou responsabilidade cristã?

    “… exortando-vos a batalhardes diligentemente pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”. Judas 1.3

    Vivemos em meio a heresias e distorções do cristianismo histórico, e somos impelidos, pela própria Bíblia a, repetidamente, reafirmar os ensinamentos das Escrituras. É verdade que por vezes cansamos e chegamos a duvidar se vale a pena gastar tempo em tanta discussão. Alguns críticos, neste nosso blog, várias vezes aventaram se não estávamos forçando um pouco a barra em cima dos liberais. Deveríamos falar de outras coisas; de pontos mais positivos.

    É verdade que ninguém gosta muito de controvérsia. Apesar de umas poucas pessoas darem a impressão de serem alimentadas por dissonâncias de opiniões, a grande maioria, principalmente do Povo de Deus, procura a concórdia e a harmonia. Não nos sentimos bem discutindo questões a toda hora e isso é um reflexo de que Deus nos tem chamado “à paz” (1 Co 7.15). No entanto existe “paz” que pode ser enganosa, superficial e até mortal. Controvérsias doutrinárias, por mais desagradáveis que sejam, ocorrem no seio da igreja. Muitas vezes somos sugados a uma batalha que não nos alegra, nem representa o nosso desejo. Estas ocorrem na época e na providência divina, exatamente para nos testar, para que o nosso testemunho possa ser renovado, para que aqueles que introduzem falsos ensinamentos sejam revelados e identificados na igreja visível. A história já provou como a doutrina verdadeira é depurada, triunfa e é cristalizada e esclarecida às gerações futuras, no cadinho da controvérsia.

    Como bem indica Judas 1.3 (acima), esta é uma luta não só de especialistas ou de algum “clero especializado, mas de todos nós. Temos que ter a consciência de que vivemos uma batalha na qual nossas mentes e corações são testados pelas mais diferentes correntes de pensamento. Ela é vencida quando brandimos a Espada do Espírito – a Palavra de Deus; quando nos empenhamos no estudo das Escrituras e enraizamos suas doutrinas nas nossas vidas, de tal forma que vamos ficando equipados a reconhecer o erro e seus propagadores. Sempre mantendo uma postura cristã no trato, devemos ter firmeza doutrinária sobre o que cremos, principalmente porque existem aqueles que não possuem o mínimo apreço pela Bíblia, mas sorrateiramente possuem seguidores em nossos arraiais.

    Um grande exemplo claro disso foram os convites que eram feitos ao famoso educador, escritor e ex-pastor Rubem Alves para conferências e palestras em igrejas presbiterianas, nos no início deste século (>2000). Ele estava sendo convidado, apresentado e reverenciado em certos círculos presbiterianos e isso motivou até uma decisão do concílio maior da igreja – para que ele não tivesse a plataforma eclesiástica, contra a qual havia se pronunciado e se insurgido em tantas ocasiões. Agora, com o seu falecimento neste dia 19 de julho de 2014, ressurgem pronunciamentos enaltecendo não apenas as qualificações literárias do falecido, mas também a presença de um suposto espírito cristão elevado e uma mensagem essencialmente cristã em suas palavras e textos.

    Ora, ninguém disputa as grandes qualificações acadêmicas e o enorme talento que o Sr. Rubem Alves possuiu. Ele encantou multidões, principalmente educadores, com suas palestras e livros de histórias. No entanto, como desconhecer que foi uma pessoa que abjurou publicamente da fé? Como ignorar que ele, tanto explicitamente como nas entrelinhas, propagou uma mensagem destrutiva contra os ensinamentos da Palavra de Deus? Se a situação de tietagem teológica equivocada estava se alastrando a um ponto em que o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, definiu explicitamente que ele não deveria ocupar púlpitos da denominação, será que com a sua morte haverá o esquecimento disso e caminhamos para uma quase “canonização” protestante? É claro que o seu nome é alvo da abordagem politicamente correta que, em ocasiões do falecimento, oblitera as falhas e exalta as virtudes, mas o problema é que essa visão enaltece pronunciamentos metafísicos do Rubem Alves, que são letais para a alma. Não podemos passar às gerações à frente a ideia de que tombou no campo de batalha um grande general, ou mesmo soldado, cristão, que foi injustiçado ou incompreendido em suas proposições.

    Se você duvida da propriedade dessa análise (ou até da decisão conciliar da Igreja Presbiteriana), veja algumas frases que Rubem Alves proferiu, em 2004, em uma igreja presbiteriana do Rio de Janeiro que o havia convidado para uma cerimônia (pasmem!) de comemoração da Reforma do Século 16 – logo ele, que é contra tudo o que os reformadores ensinaram. Disse ele: “… Deus criou o homem e viu que era bom. Ser homem deve ser, na realidade, melhor do que ser Deus tanto que Deus se encarnou como homem. Somente um Deus cruel e sádico enviaria seu próprio filho para morrer daquela forma para pagar os pecados humanos. Essa ideia é construção do medievalismo. Acho que Deus quis ser homem porque ser homem deve ser melhor do que ser Deus”.

    Acho que dá para entender por que não podemos deixar passar esse resgate de sua biografia em branco. Faz parte do “batalhar pela fé”. Deus é todo-poderoso e não precisa de nós para cumprir seus propósitos. Na realidade, é o próprio Cristo que nos ensina que “as portas do inferno” não prevalecerão sobre a sua igreja. No entanto, é a sua Palavra que nos comissiona a vigiar e orar; a estarmos alerta porque Satanás está nos rodeando, almejando a nossa queda. Que Deus nos capacite e nos dê discernimento sobre a multidão de ensinamentos falsos que estão infiltrados no meio dos evangélicos pela ação dos falsos mestres. Rubem Alves pode ser lembrado como um grande escritor e exímio contador de estórias, mas nunca como um teólogo, ou como alguém que tinha uma mensagem verdadeira das coisas espirituais.

  2. ‘total Fiktion’ but ‘necessary and useful Fiktion’ (‘useful’ as long as we don’t foegrt that such pseudo-reality is thanks to the tool of ‘idealization’ and allow ‘the tool to run away with the workman). When we let the tool run away with the workman; i.e. we let the natural predominance of ‘becoming’ over ‘being’ be hijacked by ‘being’ so that instead of acknowledging change as originating from the transforming spatial-plenum, we are forced to explain ‘change’ in a manner that is logically consistent with the world seen as a fixed, empty and infinite void (Euclidian space) populated by local ‘material beings’ (inanimate and animate ‘material beings’ or ‘things-in-themselves’). Instead of the human material form participating in the evolution of the spatial-plenum, in the manner of the hurricane-in-the-flow (Mach’s principle of space-matter relativity suggests that “The dynamics of the habitat are conditioning the dynamics of the inhabitants at the same time as the dynamics of the inhabitants are conditioning the dynamics of the habitat.”That is, in the development of material form, behaviour and organization, the outside-inward influence of the habitat-dynamic (spatial-plenum) predominates over the inside-outward influence of the inhabitant-dynamic (ripple structures). The biological sciences, by modeling by means of a language-supported pseudo-reality that purges the spatial plenum of its immanent powers of transformation and invests all creative power (of engenderment and animation) in ‘material beings’, gives us the (upside-down) sense that an inside-outward driving sourcing-power predominates in the development of material form, behaviour and organization. According to Nietzsche, this comes from our ‘ego’, from our sense that our ‘I’ is absolute, and by infusing that egoist’ notion into our scientific definition of ‘organism’, the science we develop is ‘anthropomorphism’.What about ‘values’? In the anthropomorphist scientific view, what ‘becomes’ of the world is fully and solely ‘in the hands of’ the material beings [things-in-themselves] that inhabit the world [space is conceived of as void], so it is well within the realms of the possible, that human collectives that confuse this thing-in-itself biological sciences worldview for ‘reality’, see themselves as having the power to ‘take charge of the evolution’ of the space they are living in. If space is an infinite void populated by local material things-in-themselves, then ‘taking charge of evolution’ translates into coming up with technology that will govern the continuing development of form, behaviour and organization of the material entities that populate this notional ‘otherwise empty where not occupied by material entities’ void space. Out of this view, we get the values associated with the notion that we are the engineers of the future state of the world and thus, given that we have this power, are obliged to use it wisely. We must therefore step up to the plate and assume our human responsibilities for engineering the future that we desire. This was the value of the colonizers of Turtle Island, as Ayn Rand has captured it. These values derive from the creative/productive power of human beings [seen as originating absolutely from within the human being]. This view, which is laughable to the astronaut’s eye-view observer, is taken very seriously by Ayn Rand and social Darwinist thinkers. Those people living in harmony with nature rather than transforming it into ‘something useful’ (to humans) are seen, by Ayn Randians [social Darwinists] as parasites (meanwhile, the colonizers, in destroying the harmonious habitat-inhabitant relationship of the indigenous peoples by monopolizing ownership of the land and interposing themselves between the land and the indigenous peoples, made the indigenous people ‘dependent’ on ‘handouts’ from the colonizers, and left them with one pathway out of their disempowerment, to climb the ladder within the colonizer’s [highly crony-ized] hierarchical value/belief system.)It seems evident that different ‘realities’ lead to different ‘values/beliefs’ systems. The pseudo-reality that derives from reducing the transforming spatial-plenum to void where it is not otherwise occupied by material beings; i.e. imaginary entities that come-to-mind by way of anointing material forms with their own ‘being’ as ‘things-in-themselves’, … places primary value on engineering a desired future state of the world. And who is ‘best informed’ on how to engineer the future? . ‘Scientists’ since ‘engineering the future state of the material world’ is decidedly a scientific understanding based enterprise that depends on knowledge accessible only to the few. Social Darwinists such as Richard Lewontin put it as follows; “It is one of the contradictions of a democratic society in a highly advanced technological world, … to make rational political decisions, you have to have a knowledge which is accessible only to a very few people.” [Lewontin continues by noting;] “that different people have different interests, and therefore the struggle is not a moral one, it’s a political one. It’s always a political one, and that’s the most important thing you have to recognize… that you may be struggling to make the world go in one direction, … [while] somebody else is struggling to make it go in another direction, and the question is; who has power? And if there’s a differential in power, and if you haven’t got it and they have, then you have to do something to gain power, which is to organize. “ – Richard LewontinThus, the demoting of the reality of our experience (of situational inclusion in the transforming spatial plenum) in favour of the pseudo reality wherein space is an absolute fixed and infinite reference frame populated by material entities and which is void where not otherwise occupied by ‘material beings’, notional ‘things-in-themselves’, leads to a beliefs/values system wherein it becomes a ‘moral imperative’ for us to engineer our desired future. As politicians, we must ensure that ‘the right people’ take control of this collective social enterprise, and thus ensure that ‘science’ [and therefore ‘the experts’ at the leading edge] are the ultimate providers of direction to this ‘engineering’ effort.Within each of us, there is a notional astronaut’s-eye-view observer who sees that the transforming biospheric spatial plenum predominates over whatever derives from notional local ‘material things-in-themselves’. That is, spatial transformation is one dynamic that includes the engendering and animation of material forms. The continual balance/harmony restoring/sustaining ‘ethic’ of the atmospheric/biospheric spatial-plenum gives rise to continual gathering and regathering of convection cells (hurricanes) that, as ripple structures in the spatial-plenum, are full participants in evolution, but are not ‘in charge’. Their inhabitant-dynamics shape the dynamics of habitat at the same time as the dynamics of habitat are shaping their dynamics. They are inescapably bound up in the ‘circularity’ (evolutionary spiralling) of this dynamic and without knowing where it is going, and without trying to take control of it, can let themselves be orchestrated by nature, and, as cells within a transforming flow, put their behaviour in the service of sustaining balance and harmony.

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