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Resposta aos desigrejados. Porque não frequentar os templos?

Recentemente publiquei nesta coluna, um artigo sobre os desigrejados. E distorções foram feitas sobre o que publicamos, e é por tal razão que retorno na abordagem da questão. É impressionante como algumas pessoas NÃO ENTENDERAM O QUE LERAM e como tiveram facilidade de desvirtuarem uma posição inteira, rebatendo com argumentações extra-bíblicas e suposições insustentáveis do ponto de vista teológico. Para que não fique dúvidas quanto a aplicação do termo “igreja” nesta argumentação; é tratado aqui apenas como alusão ao local onde nos reunimos para cultuarmos coletivamente, ou seja, refiro-me especificamente ao templo.

O dito artigo, que alguns o tiveram por polêmico (você o poderá ler aqui); não combate os motivos das pessoas de desligarem-se da “igreja-convencional – combate o comportamento que tende a generalizar-se”; não ignora a verdade bíblica da assembleia universal de Cristo ser composta pelos crentes, que são os verdadeiros templos do Espírito; não nega que boa parte desse “sistema cristão” está corrompido e longe da Palavra de Deus; não classifica como desviados ou excluídos do céu aqueles que na condição de desigrejados se encontram. Reitero que propusemos pela idéia central do texto, o combate à essa celeuma anti-congregacional, anti-templo, anti-pastores como a generalização de verdade comportamental para o cristão de nossos dias.  

Afirmo que Jesus jamais incentivou ou deixou exemplos para o desigrejismo, muito pelo contrário. Ele combateu o sistema hipócrita sem deixar de frequentar e valorizar a sinceridade proposta pelo templo – essa forma de Jesus lidar com o “sistema” não se encaixa no conceito dos desigrejados – o de não se filiar ou não frequentar uma igreja organizada. Se ir a um templo para adorar e louvar a Deus fosse tão pernicioso aos discípulos de Jesus, o próprio Cristo teria se comportado de modo diferente do que foi registrado nos Evangelhos. Jesus foi praticante exemplar dos ensinos de Moisés segundo a Bíblia e cumpriu toda a Lei. Por isso, se circuncidou, participava das festas religiosas anuais da nação israelita e era presente nas reuniões solenes do templo. Sempre que estava em Jerusalém, o mestre salvador frequentava-o. O Novo Testamento existe por conta da vida, ensinos, milagres e exemplos de JESUS CRISTO com foco em nossa evangelização e discipulado; e como referência maior para a vida cristã, como se comportou Cristo em relação a frequência ao templo?

Como lidou o Salvador Ungido contra os escândalos que envolvia a religião monoteísta de seus pais? Vejamos: Ele combateu os mercenários do templo (sem jamais através dessa constatação ensinar ou promover o afastamento dos adoradores do templo, como tentam se justificar, hoje, os desigrejados). Porque não fundou Jesus um novo templo? Porque já tinha o da religião de seus pais! E amigos, em relação ao Messias da plenitude dos tempos, o judaísmo estava em total desarmonia; e mesmo assim Jesus frequentava uma das representações religiosas mais expressivas daquele sistema: o templo. Nem por tal desacordo, Ele abandonou a frequência ao templo – o mestre sabia que o problema estava no coração e na mente das pessoas e não naquela construção que fora embeleza por Herodes o Grande. Desta forma, Jesus em sua realidade terrena e na faceta humana de sua pessoa encarnada, foi absolutamente pró-reuniões no templo, apesar dos pesares de sua época!

Vejamos os hábitos de congregar no templo de Cristo e seus apóstolos e até dos crentes primitivos:

E Pedro e João subiam juntos ao templo à hora da oração, a nona.Atos 3:1

Ide e apresentai-vos no templo, e dizei ao povo todas as palavras desta vida. Atos 5:20

E aconteceu que, tornando eu (Paulo) para Jerusalém, quando orava no templo, fui arrebatado para fora de mim. Atos 22:17

E foram ter com ele (Jesus) no templo cegos e coxos, e curou-os. Mateus 21:14

E todo o povo ia ter com ele (Jesus) ao templo, de manhã cedo, para o ouvir.Lucas 21:38

O qual, vendo a Pedro e a João que iam entrando no templo, pediu que lhe dessem uma esmola. Atos 3:3

Mas, no meio da festa subiu Jesus ao templo, e ensinava. João 7:14

E aconteceu que, passados três dias, o acharam (Jesus) no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os, e interrogando-os. Lucas 2:46

E todos os dias, (os discípulos, a igreja primitiva) no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo. Atos 5:42

E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; Mateus 21:12

Mas ele, em sua defesa, disse: Eu (Paulo) não pequei em coisa alguma contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César. Atos 25:8

E de dia (Jesus) ensinava no templo, e à noite, saindo, ficava no monte chamado das Oliveiras. Lucas 21:37

E pela manhã cedo tornou para o templo, e todo o povo vinha ter com ele (Jesus), e, assentando-se, os ensinava. João 8:2

E, falando Jesus, dizia, ensinando no templo: Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi? Marcos 12:35

E pelo Espírito foi ao templo e, quando os pais trouxeram o menino Jesus, para com ele procederem segundo o uso da lei, Lucas 2:27

E tornaram a Jerusalém, e, andando ele (Jesus) pelo templo, os principais dos sacerdotes, e os escribas, e os anciãos, se aproximaram dele. Marcos 11:27

Querido se você quiser ficar em sua casa, com sua família e com alguns amigos e se entenderem que essa é a forma bíblica de igreja, que assim o seja! Só não se esqueçam que no fim, a prática de vocês será a mesma que a de uma igreja convencional. Alguém terá que ceder um local para as reuniões, terão que cumprir horários, alguém terá que cantar, pregar, ensinar e representar o grupo – e isso não será outra coisa senão congregar num ajuntamento informalmente organizado ainda que sem templo, faltando a este, apenas a constituição e legalidade jurídica! Então, porque não fazê-lo numa igreja séria e sadia? Ao menos lá a estrutura congregacional será melhor para todos.

Outros alegam motivos como: escândalos, teologia da prosperidade, pastores gananciosos e pecados aturados como motivos para o desigrejismo. Precisamos ler mais a Bíblia e meditá-la para percebermos que sempre existiu jóio em meio ao trigo na sega do Senhor. Há sempre um Judas no quadro da direção e nas tesourarias, um Demas que vende-se ao mundo com o Evangelho nos lábios e debaixo do braço, um Simão que deseja mercadejar os dons de Deus para com isso se promover e enriquecer-se. Mas esses não podem nos privar da comunhão dos santos – de congregarmos numa igreja biblicamente fundamentada na Palavra, legalmente constituída e formalmente representada do ponto de vista eclesiástico.

Bom, a essa altura acredito que não restam mais dúvidas, que o problema não é o templo, a construção de alvenaria e sim as pessoas; e nem dentro de casa, nem em grandes concentrações de massa estaremos livres de suas ações, polêmicas e problemas. E por isso, com todo amor digo: desigrejar-se não é uma solução para a igreja (crentes); se você quer restaurar o sentido da vida cristã segundo o N.T. para o “mundo cristão, protestante, evangelical e fundamentalista” de nossos dias, desenvolva-o dentro das igrejas organizadas, influencie-a com seu testemunho e não com essa postura doméstica de discípulo oculto.

Apresentem textos bíblicos que refutem o ato de congregar com outros irmãos que seriamente servem a Deus, ainda que identificados por princípios denominacionais.  Enquanto não o fizerem, não podemos aceitar como “comportamento normal” essa prática de igreja de cada um em todas as casas. A igreja tem cabeça, tem ministros, tem ordenanças, tem missão tarefa; e reflitam sinceramente: como vão resolver essas questões eclesiológicas explicitas no N.T?

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