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A Igreja e o politicamente correto: como o cristão deve se posicionar?

A Igreja e o politicamente correto: como o cristão deve se posicionar?

Foto: reprodução/Shutterstock

Há alguns anos, falar do “politicamente correto” era algo com poucas implicações práticas. Se tratava de uma classificação genérica, usada normalmente para abordar temas polêmicos, mas ainda amplamente discutíveis em qualquer ambiente, sem grandes consequências.

Contudo, essa realidade mudou e continua mudando drasticamente. O politicamente correto se personalizou ao ponto de dominar certos debates, de modo que dizer abertamente o que pensamos sobre determinados assuntos pode ser motivo de censura, “cancelamento” ou até de processo judicial.

Infelizmente, este cenário que visa o controle autoritário das nossas liberdades também afetou a igreja cristã. Em nome de conceitos como “inclusão”, “tolerância” e “diversidade”, muitos líderes têm deixado de ensinar doutrinas bíblicas essenciais, especialmente no que se refere à sexualidade e a outras religiões, a fim de não desagradar a opinião pública ou aos próprios membros.

O resultado disso é o surgimento de uma geração de cristãos que não consegue lidar com a pressão da cultura pós-moderna, porque não possui a bagagem doutrinária necessária para enfrentar os desafios que se multiplicam nesse contexto de falsas certezas. É o tipo de teologia “politicamente correta” que tem promovido inúmeros apóstatas, os quais trazem mais escândalos ao Reino de Deus do que vidas para Cristo.

Quem aborda alguns desses aspectos com muita propriedade, e por isso faço questão de abrir esse parêntese, é o querido pastor Paulo Romeiro em seu livro “Evangélicos em Crise – Decadência Doutrinária na Igreja Brasileira” (Mundo Cristão, 1995), o qual vale muito a pena adquirir e ter em mãos.

Uma estratégia silenciosa

O que chamamos de “politicamente correto” faz parte de um conjunto de valores gradualmente promovidos na sociedade, principalmente pela grande mídia, na intenção de implementar uma visão de mundo que em sua maioria contraria os princípios cristãos.

A Igreja de Cristo, como principal barreira na luta contra essa imposição por carregar durante milênios a moral que norteia grande parte da sociedade, é a mais pressionada, e se engana quem pensa nisso apenas como uma luta de fora para dentro. Ela também é de dentro para fora, partindo algumas vezes de pessoas que deveriam ser defensoras do evangelho, mas que por outros interesses se tornam agentes do inimigo em nosso meio. Sobre esses Paulo diz em 1 Coríntios 5:11:

“Agora vos escrevo para que não vos associeis com qualquer pessoa que, afirmando-se irmão, for imoral ou ganancioso, idólatra ou caluniador, embriagado ou estelionatário. Com pessoas assim não deveis sequer sentar-se para uma refeição. Pois, como haveria eu de julgar os que estão fora da igreja? Todavia, não deveis vós julgar os que são de dentro?”.

Parte dessa estratégia de acomodação cultural da igreja ao mundo, de forma que o evangelho de Cristo seja distorcido, existe por conta do silêncio e, portanto, omissão de muitos de nós, incluindo líderes, diante do contexto político e cultural em que vivemos, o que significa um grave erro.

Alguns acreditam que o culto a Deus não implica em ser uma igreja atuante também nas questões sociais e políticas que afetam os princípios cristãos. Mas, se não fosse o trabalho de outros irmãos que lutam para que possamos continuar tendo liberdade religiosa, jamais poderíamos continuar pregando em praça pública até hoje.

A posição do cristão diante dessa realidade é a de inconformidade. A Bíblia nos ensina em Romanos 1:1-2 que devemos transformar o mundo mediante a renovação da nossa consciência, em Cristo, “para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Isso significa agir, influenciar e propagar as verdades do evangelho com a nossa vida, mesmo que o politicamente correto avance e nos ameace. Será que temos feito isso quando temos a oportunidade? Qual tem sido a sua reação?

Quando Pedro e outros apóstolos foram interrogados pelo sumo sacerdote sobre o motivo de continuarem pregando o nome de Jesus nas ruas, mesmo já tendo recebido ordens de que não poderiam fazer isso, eles responderam: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29). Essa é a postura que devemos ter.

Uma postura que não se confunde com o desrespeito ao próximo, mas que tem a ver com o compromisso inegociável com a Palavra de Deus acima de qualquer coisa, inclusive do politicamente correto, da censura e do autoritarismo ideológico.

Portanto, devemos orar ao Senhor pedindo que intervenha em nossas vidas, a fim de que sejamos instrumentos em suas mãos para alcançar outras pessoas através do testemunho. Isso não é uma questão de escolha, mas de dever (Marcos 16:15); cabe a cada um avaliar a si mesmo e decidir. De qual lado você está?

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