CARNAVAL. Você tem medo de quê?

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Nos dias de Carnaval um costume bem conhecido e até entendido como “retrógrado” pela maioria dos cristãos hoje, era, até bem pouco tempo, o refugiar-se em retiros até que o carnaval passasse, livrando-os do assédio do inferno que visava levar os crentes ao pecado e à “lama babilônica” da tal festa. Hoje, parece que muita coisa mudou, não é verdade?

Não, não é.

Muitas igrejas tem saído em trabalhos evangelísticos em busca do pecador nas ruas em dias de carnaval, trazendo os “feridos”, desamparados e chafurdados na lama do pecado, até a igreja… Um numero cada vez maior…. “Bom, na verdade, falamos dos que querem de verdade um evangelho, porque a maioria prefere o pecado a render-se…”

 

E aí eu venho mais uma vez incomodar o pensamento “casto” e a consciência limpa dos que não a usam:

Pergunto: Render-se a que??

Ao seu discurso crente que não faz jus à sua vida?

Ao “Jesus te Ama” forçado dos dias de distribuição de folhetos e agora, “Abanadores” dom frases “pseudo-bíblicas”??

Você espera o que, dos que pensam um pouco mais em todo o contingente de informações que você como “cristão” tem propagado?

Será que a igreja não tem confundido as pessoas que “querem de verdade a Jesus” com os que apenas estão mais suscetíveis a um apelo por estarem fartos, cansados??

Você crê realmente que as pessoas que buscam no carnaval o “desabafo” para suas questões, buscam esse caminho, por quê?

Não está faltando nada em sua vida “cristã” que diz almejar ser parecida com a de Jesus, não?

Pois vou lembrar-lhe um fato que talvez tenha passado despercebido em sua busca por parecer-se com Jesus:

 

Levi era um cobrador de impostos. Fazia parte de uma gente mal vista pela sociedade judaica da época; Pessoas que por estarem à margem de uma sociedade pautada por uma vida religiosa, não possuíam outra alternativa a não ser justamente, lidar com o que possuíam, ou seja: A margem.

Eles não estavam no “seio” religioso, não compartilhavam do acolhimento dos “santos”…  Não possuíam outra alternativa a não ser, lidarem com suas vidas da forma que o mundo os ensinou. Assim era também Levi.

Daí você pode até dizer:

“Mas Levi tinha uma “sede”, uma vontade em mudar de vida…”

E eu volto a perguntar: Quem disse?  Quem sabia? Jesus?

Claro, Ele, sabia.

Além dele, ninguém sonda coração de ninguém…

Mas voltemos ao texto de Marcos 2 a partir do verso 13…

“Jesus saiu outra vez e foi para o lago da Galileia. Muita gente ia procura-lo, e ele ensinava a todos. Enquanto estava caminhando, Jesus viu Levi, filho de Alfeu, sentado no lugar onde os impostos eram pagos. Então disse a Levi: – Venha comigo. Levi se levantou e foi com ele…”

 

Daí você pode concluir com uma visão religiosa, que Jesus o chamou e, simplesmente ele quis ir, por isso, o “pecador” que não quer, “de pronto”, seguir,  simplesmente não quer nada com Deus…

Engano seu (e o engano é tanto, que eu e muitos outros estamos aqui, em pleno feriado de carnaval, talvez lembrando a você, de seu possível engano… Se houver quem ouça, a missão foi cumprida).

É um engano lamentável, não se dar conta e aceitar que Jesus tratou de “encantar” a Levi com um gesto de proximidade. Ele o escolheu! Mais que isso, ele jantou em sua casa fazendo dela, um lugar para outros excluídos que faziam um “rolezinho” com ele…

Por fim, pra quem ainda não aceitava o comportamento do mestre que juntava multidões usando com propriedade o nome de Deus, Jesus reafirmou o que já dizia em sua conduta: “… Não são os sãos que precisam de médicos, mas sim os doentes…”.

Repare que o cuidado de Jesus com os “doentes” se dava numa Festa e não num hospital.

E é bem provável que a essa altura, se for bem religioso como a maioria, você esteja mais uma vez me “excomungando” por eu estar lembrando-o de sua responsabilidade em encantar as pessoas que precisam de Deus tanto quanto você.

Por isso, se precisar de se fazer presente em algum evento para o bem de alguém, faça-se presente.

Melhor que isso: Vá para as ruas! Vá ver um pouco do que se passa nos olhos das pessoas que você tanto condena! Vá procurar “solidarizar-se” com a dor de quem usa do carnaval pra se “esvaziar” das  mesmas coisas que você também está sujeito… Pare de se esconder do resto da humanidade, praticando de dentro das igrejas, a sua desumanidade costumeira!

Você está com medo de que?? De cair no pecado??

Desculpe-me… Mas se você tem este medo de cair no pecado por conta de sua “carne fraca”, é certo de que você não chegou ainda a uma maturidade cristã… Então, quer um conselho?

Pare de falar mal das pessoas no carnaval e vá buscar CRESCER! Vá buscar uma vida que honre o nome de Jesus, ao invés de usá-lo como desculpa para “segregar-se” do resto do mundo, acusando-o de “sujo” simplesmente por questões pessoais suas. Isso já será um amadurecimento.

Trate de AMAR a quem precisa é ser amado.

Caso contrário, essa conversa de ser “louco por Jesus” não vai passar de “conversa fiada” de religiosos, como o mundo costuma dizer com muita propriedade.

Caso contrário, a sua conversa de “Jesus te ama” vai continuar a ser o que tem sido há muito tempo:

A fala dos que pouco se importam; O subtexto que finaliza:

Jesus te ama, MAS EU NÃO.

 

 

Rogério Ribeiro.

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Rogério Ribeiro é um cristão livre do sistema religioso. É Cineasta, roteirista e cronista. Escreve no blog "edição de amanhã", no "Antireligiosidade (http://antirel.blogspot.com.br/), entre outros. É autor de "Descansado sobre a Relva", livro que fala do relacionamento pessoal com Jesus Cristo, acima de qualquer coisa ou "impedimento" proposto pelo mundo religioso. Observador atento, Rogério Ribeiro aceitou o dever de alertar a igreja e, desde então é um compromissado "atalaia" dos nossos dias, às ordens de um só Senhor: Jesus Cristo.

2 COMENTÁRIOS

  1. Esse artigo promove a evangelização no carnaval, então? Ótimo!
    Por outro lado, qual o problema de pessoas que não possuem o temperamento para carnaval e multidões ficar em casa e se prepararem para a quaresma, para viverem uma boa preparação para a Pascoa? Somente ocorre evangelização de uma única forma, em uma única época?
    Devemos sem duvida nos aproximar das pessoas, mas devemos mostrar a diferença na nossa vida; e pelo final do texto me parece que há uma apologia a participar do carnaval apenas para mostrar as caras por lá. Como funcionaria a evangelização? As pessoas que não te conhecem te viriam, talvez com alguma cruz no pescoço, participando da Dionísia e diriam “quero ser cristão também, ser batizado e aprender tudo que Jesus ensinou, e carregar minha cruz!”? Parece-me delírio acreditar que esse é um resultado razoável.
    Ao invés, acho que o melhor jeito seria a Igreja mostrar uma alternativa: ao invés de se conformar aos costumas do presente século, mostrar como podemos viver “uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade.”; mostrar que o verdadeiro caminho da felicidade e alegria é o caminho da piedade e não o da desordem.
    Por fim, o Sr. critica quem tem medo de cair com as tentações, mas isso é puro orgulho! Devemos trabalhar na nossa salvação com temor e tremor, devemos, se nos julgamos firmes, ter cuidado para não cair! Devemos pedir, diariamente, que Deus nos livre de tentações, e finalmente, reconhecer, em humildade, que “O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda.” (alias, o livro dos Provérbios parece-me uma boa leitura para o carnaval, e assim digo, feliz carnaval!)

  2. ”Jesus te ama” é uma frase que quase ninguém quer ouvir durante este período, que para mim é o pior do ano.
    Mas aqueles que dispõe-se a fazer a obra, sem medo de nada nem ninguém, terá grande galardão no céu.
    Ser cristão é para poucos, mas esses poucos serão grandemente onrrados naquele grande dia.
    Receba vaso, OH Glória

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