A Bíblia, Jesus e os homossexuais

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Sou daquelas pessoas que quando ouve o velho hino “quando Jesus estendeu sua mão, eu era cego, perdido, sem Deus, sem Jesus, quando estendeu sua mão para mim” sinto um arrepio. Sou profundamente grato pela misericórdia e graça divina que estão relacionadas a vida do Senhor.

Eu estava na sarjeta da vida, perdido, era um miserável espiritual, com a alma avariada pelo abuso das drogas e do álcool e não via esperança no futuro. Assim vivi a maior parte da minha adolescência, feliz por fora, numa loucura utópica e tão arrogante que era incapaz de admitir minhas mazelas, mas mesmo assim deprimido e sem esperança interior.

Foi quando, então, tive meu encontro com essa Luz original, que lançou seu feixe sobre minhas trevas e me fez enxergar além da minha desgraça pessoal. Assim foi o início de minha jornada evangélica!

De lá pra cá, foram-se dezoito anos e uma das coisas que sempre pautaram minha relação com a religião cristã foi uma personalidade curiosa. Nunca me conformei com o que me ensinaram sobre Jesus e o Cristianismo e sempre fui além do que via, lia e ouvia.

Agraciado pelo indulto, durante toda minha vida, até aqui, andei em busca de uma mensagem bíblica que fosse consistente, em abrangência e universalidade, com a graça e o amor de Cristo que sentia em meu coração. Como fruto dessa busca, acredito que na jornada terrenal esteja agregando pequenos tijolos a cada dia na construção de uma teologia que me convença.

Sobre diversos assuntos, sobretudo os que são tabus sociais, via em quase tudo o que lia, acerca das ‘letras’ humanas, chamadas presunçosamente de revelações de Deus, que as mesmas conduziam consciências à condenação e mentes fracas, em busca de respostas para questões existenciais das mais complexas, eram fadadas a mensagens de reprovação.

Gostaria de me manifestar acerca da homossexualidade, a qual, na letra e na lei, é reprovada pelo judaísmo (em seu código de conduta) e pelo cristianismo (nas orientações apostólicas).

É sobre esse assunto que venho pensando e gostaria de compartilhar o que hoje está em meu coração.

Acho intrigante a forma como lidamos, como igreja, com essa questão. Sobretudo pelo fato de simplesmente anular completamente o fator individualidade, condição inequivocamente peculiar à vida humana, ou seja, por simplesmente tratar da questão por si só, sem olhar para a pessoa envolvida, em cada uma de suas histórias, sentimentos, escolhas, influências e caminhos pelos quais cada um deses indivíduos andaram.

O pecado mata, mas a letra também

Quando penso no assunto, a primeira questão que me vem à mente é a do enquadramento bíblico. Sim, homossexualidade é pecado sob a ótica da Bíblia. E o salário do pecado é a morte, portanto, gays, inconversos, ou seja, que não mudaram sua gayzisse merecem a condenação, não é isto?

No entanto, na mesma Bíblia encontramos outra coisa que mata igual ao pecado, que é a letra. Letra, a antítese do Espírito que vivifica, segundo o texto a que me refiro.

Em minha opinião (que fique claro que tudo aqui é minha opinião e não tenho ambição de doutrinar ninguém), a letra é a leitura que se faz da Bíblia de forma obscurecida, sem a presença dos fatores Graça, Amor e Justiça, revelados na vida dos que foram iluminados em seus entendimentos pelo Espírito de Deus. Essa Letra é capaz de matar, pois ao invés de produzir bênção, maldiz. Ao invés de salvar, condena. Ao invés de reconciliar, afasta.

O enquadramento legal dos homossexuais são uma ótica da letra mortal, não do espírito que vivifica. São fruto do pensamento convencional, paupérrimo e preconceituoso de que Deus ama o pecador, mas odeia o pecado. Esta é uma frase digna de um carcereiro evangélico, que mantém na rédea curta seus irmãos.

Mas não quero aqui dizer que o homossexual não pecou. Pelo contrário, em meu entendimento bíblico, entendo que todos pecaram. Eu pequei e você também pecou e se o salário do pecado é a morte, sou digno de condenação tanto quanto qualquer outro ser humano sobre a face da terra, seja ele gay ou hétero. Todos merecemos a condenação!

Escala pecaminosa?

Na sociedade em que vivemos, criamos por hábito eleger pecados mais e menos aceitáveis, o que não é uma condição biblicamente lógica, mas uma invenção auto indulgente de um clero que promove uma doutrina de merecimento através da discriminação entre pecadores melhores e pecadores piores.

Pra mim, somos todos iguais e confio que pra Deus também!

Acho que devo partir para uma definição de pecado, que, como vejo, não é um ato em si, uma ação isolada, mas um estado humano irrevogável, ao menos nesta carne, neste tempo. Ou seja, não é que pecamos quando pensamos em algo ilícito, ou corrompemos a barreira imaginária do certo/errado, do pode/não pode, mas é no próprio fato de existir humanamente que consiste em estado de pecado.

Quanto a isto, não há saída! Nem pra mim, nem pra você, nem pro hétero, nem pro homo, nem pro assassino, nem pro que se diz inocente, porque, diante de Deus ninguém é inocente.

Até mesmo porque conceitos de inocência e culpa são estados variáveis que mudam de acordo com épocas, com interpretações e convenções. Muito daquilo que é aceito como bendito hoje, já foi maldito ontem, então, culpa é um lance no qual eu deixei de acreditar.

Digo isto porque culpas – a maioria esmagadora delas – são infringidas pela sociedade (em maior parte religiosa) e não por Deus.

Nos Estados Unidos da América houve tempos tão fundamentalistas nos quais era crime deixar de ir à igreja aos domingos. John Bunyan, autor do célebre ‘O Peregrino’, foi preso por coisas desse naipe.

Reformas

Para provar que certos e errados são variáveis, utilizo a Bíblia, que possui dentro de suas próprias linhas algumas reformas que foram indispensáveis para que a lei pudesse se adequar à humanidade de cada era. Sim, a Bíblia se adéqua à humanidade e a Nova Aliança só foi estabelecida porque a Velha, digamos, envelheceu.

Certa vez perguntaram a Jesus sobre o casamento e o divorcio. Parafraseando as palavras do Mestre, foi dito que esse lance de carta de divórcio não foi estabelecido no princípio por Deus, mas que por causa da dureza do coração dos homens, Moisés teve que conceder tal carta.

O que vocês veem aqui? Eu vejo mudança, reforma, eu vejo adaptação por causa do estado de pecado e vejo que sem essa alteração, não haveria forma daquelas pessoas subsistirem enquanto Judeus.

Abro um parêntese pra dizer que é óbvio que estamos tão irreversivelmente distantes do projeto original que toda Lei teve que ser fatalmente mudada para que houvesse salvação. A Lei teve que se tornar obrigatoriamente em Graça, visto que nenhum homem mostrou-se capaz de cumpri-la.

Deus é justo e certamente possui um padrão, no entanto, por ser amor acima de tudo decidiu sofrer em si mesmo as dores do sacrifício que nos traz a paz e a salvação.

É por Graça, não por merecimento e isto engloba a todos, até mesmo os que sob a ilusão da religião acreditam que fazem por merecer, apesar de viverem sob um estado de engano, pois ninguém faz por merecer, pois todos pecaram!

A hipocrisia religiosa se estabelece justamente no vício de se criar falsos santos, mitos e semideuses cristãos, pessoas que se tornam padrão de pureza, castidade etc. Tudo balela!

Assim como eu e você, todos são desesperadamente corruptos, até as mães são, os pais, os presidentes, os pastores, os apóstolos, todos são, pois é uma condição humana.

A gravidade na questão do tabu da sexualidade de nosso tempo consiste no falso conceito supremacista heterossexual, que gera a enganosa sensação de que não-gays são menos pecadores do que os ‘repulsivos’ gays.

Tudo isso porque na Bíblia, um livro cheio de indícios temporais que precisam ser avaliados e sondados sob óticas não fundamentalistas – sob risco da mesma se tornar letra mortal – existe esse precedente moral.

A chave é Jesus

Sempre que vejo uma situação de sinuca, um quadro no qual não consigo achar respostas, busco na atitude de Jesus uma saída. Aprendi isto com um professor do curso de teologia, anos atrás.

Talvez você não saiba mas Ele, o Mestre, Senhor e Bispo das nossas almas esteve com um homossexual em sua caminhada pela terra.

É um fato histórico, embora argumentações circunstanciais sejam levantadas para erguer contradições, o lance é que Jesus esteve com uma pessoa que pra mim se tornou o símbolo bíblico de como eu, como cristão, devo me portar perante homossexuais.

O texto está em Lucas 7 e diz: “E o servo de um certo centurião, a quem muito estimava, estava doente, e moribundo”.

Pra seguir adiante, preciso relembrar a todos que contextos históricos são chaves hermenêuticas indispensáveis para seja feita uma exegese correta dos textos bíblicos e o fato é que, embora condenada pela tradição judaico-cristã, a sociedade romana tolerava relações com conotações homossexuais, onde eram, aliás, comuns.

Quero afirmar que o texto deixa clara a existência de uma relação de carinho entre o Centurião e seu Servo e na versão Almeida Revista e Atualizada, no verso 7 daquele capítulo, utilizou-se o termo “meu rapaz”, ao invés de “servo”, como em outras versões. Tudo isto em virtude das ambiguidades contidas nos termos gregos utilizados nas versões originais do Evangelho de Lucas.

O que quero dizer com isto é que o Centurião amava seu servo e que esse tipo de situação/relação era algo comum naquele momento, naquela sociedade e que os romanos concebiam esse tipo de relação sem as discriminações dos dias atuais.

No entanto, o que fica pra mim é a atitude de Jesus com relação aquele centurião, pois o mesmo não foi passível de repreensão e, pelo contrário, teve seu ‘rapaz’ (amante?) curado e ainda foi louvado por sua fé, pelo Senhor (sugiro que leia todo o texto).

Pra mim isto é a manifestação da Graça, através daquele que veio estabelecê-la e o Evangelho não é nada sem isto. Sem essa Graça receptiva, o Evangelho é só uma religião dotada de um clero hipócrita que cobra do povo que eles sejam o que nenhum de seus líderes é, nem nunca será.

As igrejas estão erradas em acusar o pecado da homossexualidade, pois ao fazê-lo, querem simplesmente se excursar de seu próprio pecado, o que consiste em hipocrisia deslavada.

Com a atitude de Jesus entendo que não devo dizer quem é ou não o pecador, porque, em suma, diante dEle, todos somos (então, pare de se achar melhor do que os outros só porque é hétero).

A única coisa que posso dizer agora, baseado na atitude do Senhor perante o Centurião é que Ele não veio aqui pra tratar desses assuntos de ordem humanamente moralista.

Deus é moral ou Deus é amor?

Moral não é coisa de Deus, é coisa de homem! Deus não tem moral, Deus é o que é!

Poucos entendem o Deus histórico que mandava matar no Antigo Testamento, mas o fato é que questionar Deus em suas atitudes ‘moralmente violentas’ é o mesmo que a formiga questionar o elefante por pisar no formigueiro.

Ele faz, desfaz, cria e se quiser descria. Ele é Deus!

Moralidade, moralismo é coisa da sociedade que passa por reformas de tempo em tempo e a própria Bíblia mostrou isso.

Deus, por uma convulsão de sentimentos, decide amar a esta classe perdida e desgastada chamada humanidade e isto sim é algo intenso, profundo e inexplicável.

Crentes vingadores 

Eu, ser humano, dizendo quem é o certo e o errado, isto sim é um absurdo e a igreja vive seu absurdo legalista e hipócrita quando se coloca como a palmatória do mundo, com seus métodos de catequese inadequados para se posicionar perante a sociedade de seu tempo, este tempo.

A falta de amor na vida da cristandade é latente e escandalosa e os que se dizem filhos de Deus provam que nem mesmo o conhecem, pois sendo Deus amor e a igreja o mais descarado ódio, ambos estão separados por um abismo profundo de ignorância.

A prova disto é que enquanto o amor de Deus abraça a humanidade em Cristo, a igreja acusa e aponta seu dedo, repelindo.

A pregação do Evangelho é a reconciliação de todos com o Pai e um cristianismo que não reconcilia, é uma religião morta, anticristã, um lixo.

Oração

Clamo a Deus para que esse tempo de tragédias familiares, onde pais – muitos deles cristãos – por sua “obsessão hétero moral” expulsam filhos de casa, corrompendo todo o sentido de família, que é o amor, a proteção e o zelo mútuo.

Choro pelos homossexuais que sofreram até aqui e pelos que ainda sofrerão, mas choro também pela ignorância da eclesia atual, que diz ter nascido de Deus, mas não conhece o amor, que diz paz do Senhor, mas agride e pisoteia almas tão sofridas e amarguradas pelos muitos abusos vividos entre bullyings e perseguições.

Peço a Deus que aprendamos a amar e a receber, sem essa lorota imbecil de que odiamos o pecado e amamos o pecador.

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Pastor, músico, compositor, poeta, jornalista, produtor musical, blogueiro, twitteiro, facebookeiro, observador da igreja dos últimos dias à serviço de Cristo.

25 COMENTÁRIOS

  1. Se alguém me diz que “ama o pecador mas odeia o pecado”, essa pessoa diz que me odeia, por que o pecado em questão para essa pessoa, é na verdade a minha condição de ser feliz, minha homossexualidade faz parte de mim, da minha essência, eu poderia escolher se eu fosse bissexual, aí sim poderia ter relacionamentos héteros ou homos por escolha, mas no meu caso, eu não posso, não posso escolher sentimentos, ninguém pode escolher quem eu devo amar, só se arrancarem meu coração!

    • Diogo, a ciência está a poucos passos de provar que a homossexualidade é uma condição humana de nascimento através da epigenética, motivo pelo qual existe entre a maioria dos animais (os quais sabemos são irracionais e não fazem opção sexual, agem como DEUS os dirige).
      Ai todos os fariseus, terão de prestar contas a Cristo por seu ódio e intolerância contra os homossexuais em todos os tempos.

      • Sexualidade
        Homossexualidade pode ser influenciada pela epigenética

        Pesquisa afirma que a orientação sexual pode estar ligada a marcadores epigenéticos que regulam a sensibilidade à testosterona e são transmitidos de pais para filhas e de mães para filhos

        Ricardo Carvalho
        homossexualidade genética epigenética
        Estudo tenta entender qual o componente biológico na definição da orientação sexual das pessoas (iStockphotoItem )

        Do ponto de vista evolutivo, o fato de a homossexualidade ser algo bastante comum na sociedade humana, ocorrendo em cerca de 5% da população mundial, é intrigante. Como homossexuais produzem menos prole do que heterossexuais, uma possível variação genética relacionada à homossexualidade dificilmente seria mantida ao longo das gerações. “Isso é muito enigmático a partir de uma perspectiva evolucionária: como a homossexualidade pode existir em uma frequência tão alta a despeito do processo de seleção natural?”, diz em entrevista ao site de VEJA Urban Friberg, do departamento de Biologia Evolutiva da Universidade de Uppsala, na Suécia. Friberg, ao lado de William Rice, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, e Sergey Gavrilets, da Universidade do Tennessee, ambas nos Estados Unidos, pode ter encontrado uma resposta: o fator biológico ligado à homossexualidade não estaria na genética propriamente dita, e sim em um conceito conhecido por epigenética. Os resultados foram publicados nesta terça-feira no periódico científico The Quarterly Review of Biology.

        A epigenética trata de modificações no DNA que sinalizam aos genes se eles devem se expressar ou não. Esses marcadores não chegam a alterar nossa genética, mas deixam uma marca permanente ao ditar o destino do gene: se um gene não se expressa, é como se ele não existisse.

        CONHEÇA A PESQUISA

        Título original: Homosexuality as a Consequence of Epigenetically Canalized Sexual Development.

        Onde foi divulgada: The Quarterly Review of Biology

        Quem fez: William Rice, Urban Friberg e Sergey Gavrilets

        Instituição: Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, Universidade de Uppsala e Universidade do Tennessee.

        Resultado: O artigo estudou um possível componente hereditário para, a partir de um ponto de vista evolutivo, explicar a homossexualidade. Os três autores montaram um modelo segundo o qual uma marca epigenética (epimarca), que regula a sensibilidade à testosterona em fetos, pode ser transmitida de mãe para filho e de pai para filha e influenciar na orientação sexual.
        Essa nova teoria vai ao encontro de outra tese mais antiga, a de que a homossexualidade é definida, ao menos em parte, por um componente hereditário. Pelo menos quatro grandes estudos, publicados em 2000, 2010 e 2011, nos periódicos Behavior Genetics, Archives of Sexual Behavior e PLoS ONE, apontam para esse fator na origem da orientação sexual, a partir de estudos com gêmeos monozigóticos (também chamados de idênticos ou univitelinos, produtos da fertilização de um único óvulo) e dizigóticos (também chamados de fraternos ou bivitelinos, produtos da fertilização de dois óvulos diferentes).

        Epigenética — Imagine o material genético humano como um manual de instruções. Os genes formariam o conteúdo do livro, enquanto as epimarcas ditariam como esse texto deveria ser lido. “A epigenética altera e regula a forma como os genes se expressam”, explica a geneticista Mayana Zatz, do departamento de Genética e Biologia Evolutiva da Universidade de São Paulo (USP). É por meio dos comandos epigenéticos, por exemplo, que o pâncreas fabrica apenas insulina, apesar de as células nesse órgão terem genes para a produção de muitos outros hormônios.

        Acreditava-se que os traços da epigenética não eram hereditários, sendo apagados e recriados a cada passagem de geração. Como pesquisas nas últimas décadas mostraram que uma fração de epimarcas é, sim, passada de pais para filhos, Friberg, Rice e Gavrilets julgaram ter encontrado a peça que faltava para montar o quebra-cabeça.

        Sensibilidade – Os três criaram um modelo segundo o qual uma dessas epimarcas transmitidas hereditariamente é o marcador responsável por regular a sensibilidade à testosterona de fetos no útero materno. Ao longo da gestação, tanto fetos masculinos quanto femininos são expostos a quantidades variadas do hormônio, sendo que o fator epigenético estudado no artigo torna o cérebro dos meninos mais sensíveis à testosterona quando os níveis estão abaixo do normal. Isso acontece para preservar características masculinas, podendo inclusive influir na orientação sexual. O mesmo ocorre, mas inversamente, com as meninas. Quando a testosterona está acima do normal, a epimarca funciona como uma barreira, diminuindo sua sensibilidade ao hormônio.

        A partir desse modelo, a homossexualidade poderia ser explicada pela transmissão de epimarcas sexualmente antagônicas. Ou seja: quando o pai transmite seus marcadores, que tiveram a função de torná-lo mais sensível à testosterona, para uma filha. De igual maneira, esse material hereditário pode ser passado de uma mãe para um filho, tornando-o menos sensível à testosterona.

        “Quando os efeitos desse mecanismos (que regulam a sensibilidade à testosterona) não são apagados entre as gerações, eles se expressam na prole do sexo oposto. Isso pode resultar em indivíduos que desenvolvem preferências sexuais pelo mesmo sexo”, explica Friberg, da Universidade de Uppsala. “O que fizemos foi colocar pela primeira vez o conceito da transmissibilidade epigenética no contexto de desenvolvimento sexual.”

        O pesquisador faz questão de ressaltar que ainda não se pode provar que a epimarca específica da sensibilidade à testosterona é hereditária. Para tanto, testes específicos precisarão ser realizados. “Uma grande solidez do nosso estudo é que o modelo epigenético para a homossexualidade faz predições que são testáveis com tecnologia já existente. Se o nosso modelo estiver errado, pode ser rapidamente descartado”, escrevem os autores no artigo do The Quarterly Review of Biology.

        Outro pesquisador envolvido, Sergey Gavrilets, da Universidade do Tennessee, afirma que mesmo que a teoria da hereditariedade seja respaldada por futuros estudos, o debate está longe de acabar. “A hereditariedade explica apenas parte da variação na preferência sexual. As razões, que podem ser sociais, culturais e do ambiente, permanecerão como um tópico de intensa discussão.”

        “Estudo positivo” – Carmita Abdo é coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Ela destaca que a nova pesquisa é positiva, uma vez que contribui para a melhor compreensão dos fatores biológicos envolvidos na ocorrência da homossexualidade. “O trabalho é importante porque reforça uma ideia cada vez mais prevalente: a de que a genética — no caso a epigenética — tem influência sobre a orientação sexual.”

        Essa compreensão científica tem sido importante, segundo Carmita, no combate a mitos que envolveram o tema e que alimentaram interpretações preconceituosas. “Até pouco tempo atrás, achava-se que a orientação sexual era proveniente de uma escolha, como se deliberadamente o indivíduo optasse por ser homossexual. Muito do preconceito contra os homossexuais advém daí”, afirma, lembrando que até o início dos anos 90 a homossexualidade era tratada como um transtorno de preferência, e não como uma característica. “Observar um fenômeno pelas lentes da ciência muda a compreensão e ajuda a deixar de lado certas discriminações. Nesse caso em particular, você remove da equação a ideia de que o homossexual é responsável por uma opção que muitos veem como negativa, pejorativa.”

        Ela ressalva, entretanto, que ainda existe muita incerteza no campo e que a orientação sexual precisa ser encarada como produto de vários fatores. “O estudo reforça a ideia segundo a qual existe uma predisposição que vai ser confirmada ou não a partir de uma serie de influências que vão ocorrer ao longo da vida, algumas delas de ordem cultural, educacional e social. Ele não consagra uma interpretação determinista, nem diz que tudo depende dos genes”

        “Nosso objetivo é entender como as preferências sexuais se desenvolvem e evoluem”

        Urban Friberg
        Professor do Departamento de Biologia Evolutiva da Universidade de Uppsala, na Suécia

        Qual o principal objetivo da pesquisa?

        Assume-se que indivíduos homossexuais produzem menos prole do que heterossexuais. Qualquer codificação genética para homossexuais deveria, portanto, ser rapidamente removida no processo de seleção natural. Apesar disso, a homossexualidade é relativamente comum entre humanos (cerca de 5%). Além do mais, os melhores estudos disponíveis mostram que há um componente hereditário na homossexualidade. Isso tudo é muito intrigante de uma perspectiva evolucionária: como a homossexualidade pode existir em frequências tão significativas apesar da seleção contra ela? O objetivo da nossa pesquisa foi simplesmente tentar resolver esse enigma, o que nos ajuda a entender como as preferências sexuais se desenvolvem e evoluem.

        Como a mudança de foco de genética para a epigenética pode ser explicada?

        Nossa principal contribuição é trazer uma explicação lógica para o porquê de a homossexualidade ser algo tão frequente – e para tanto nós mudamos o foco, como causa da homossexualidade, de genes para epimarcas. Nossa teoria sugere que a homossexualidade é resultado de um mecanismo que ajuda as pessoas a desenvolver a preferência por indivíduos do sexo oposto. Quando os efeitos desses mecanismos (epimarcas) não são apagados entre as gerações, eles se expressam na prole do sexo oposto. Isso pode resultar em indivíduos que desenvolvem preferências sexuais pelo mesmo sexo.

        Como a comunidade científica lida com genética e homossexualidade?

        Houve diversos estudos nos quais os pesquisadores tentaram encontrar genes associados com a homossexualidade. Tais estudos falharam e nenhum gene foi identificado. O resultado disso tudo é intrigante, uma vez que a homossexualidade tem um componente hereditário. Nossa teoria, porém, é capaz de explicar por que a homossexualidade é tão comum e tem um componente hereditário, sem nenhuma codificação genética para esse traço.

        Encontrar uma possível explicação biológica ajuda a combater o preconceito?

        Atualmente, algumas pessoas acreditam que a homossexualidade é uma escolha pessoal e que indivíduos homossexuais podem ser ensinados a escolher de forma diferente a sua orientação sexual. Eu acredito que encontrar as raízes da preferência sexual mina tais mitos e ajuda as pessoas a melhor entender e aceitar a homossexualidade.

    • Parabéns Rafael Reparador, pela sensatez, e lucidez em seu texto, mermo não concordando contigo no todo, pois acho que o a homossexualidade é uma condição de nascimento, motivo pelo qual não é pecado dentre outros motivos que poderia enumerar.
      Mas ainda fico abismado em ver sua elucidação, sobre o fato da da condição da moral humana e o amor libertador de Cristo, a exemplo da cura do “servo” do centurião o qual tenho agora certeza que eram amantes.
      Quem dera a igreja, tivesse mais homens como você.
      Graça e Paz.

  2. Puxa até que enfim um texto contextualizado e bem feito PARABÉNS rapaz…o CRIADOR com certeza leu isso e o SALVADOR(não esse falso Deus E jesus)E SIM os VERDADEIROS …PARABÉNS DE VERDADE….

  3. homossexuais são pessoas tão pecadoras como nós… só pq o pecado deles é mais “evidente” estão sendo mais afastados do que atraídos em direção à Jesus. Tanto discurso de ódio por parte de lideres evangélicos causa repulsa até em nós que somos heteros…

  4. Não sou homossexual mas até hoje luto contra o pecado em algumas áreas.
    Todos nós os temos.
    Porém, precisamos ter consciência de que o pecado não agrada ao coração de Deus e sempre buscar em Deus a sua graça e o seu perdão e acima de tudo uma mudança de rumo.

    Ele é poderoso para nos transformar e Ele transformará, pois quem santifica é Ele. O papel da igreja é: Em amor, denunciar o pecado, seja ele qual for e ajudar àqueles que desejam ser transformados. Sem discriminação, preconceito e falta de amor.

  5. Texto legal. Mas ñ vejo um verdadeiro evangelho se ñ houver mudanças. Se for pra continuar no mesmo estado q eu era, então pra q q eu quero ser cristão? Vc mesmo disse, vc era assim, era assado. Mas vc continua se drogando? Vc continua no mesmo estado pecaminoso q era? Claro q ñ… Eu acho q muitos estão interpretando de uma forma equivocada qdo falamos “Deus ama o pecador, ñ o pecado”. Isso ñ é uma verdade? Deus repudia o pecado! Só q ele ama a pessoa em si, ñ importando se ele é homo, hetero, drogado, bebado e etc. Ele só quer q deixemos nosso estado pecaminoso p/ trás.
    Quando leio um texto como esse, até penso q vcs defendem q os homossexuais continuem com seus costumes, servindo a igreja. De alguns até tenho certeza, mas de vc, q muitas vezes trás textos bons, eu ñ acredito. Cara, deixando Silas, feliciano, Macedo de lado, vc acha q a maioria dos pastores expulsam Homos de dentro de suas igrejas? Q ñ aceitam q eles ouçam a mensagem de amor ou esse hino maravilhoso q vc escreveu aí? Claro q ñ! Só q para servir a Cristo, tem q haver mudança, como ñ aconteceu com o Jovem Rico, como foi exposto a Nicodemos. Tem q haver arrependimento! Vc pode ver o exemplo do rapaz q postou acima. A felicidade dele é ser homo, Jesus vai passar a mão na cabeça dele e deixar pra lá? Complicado…

  6. Estamos nos finais dos tempos mesmo. Pelo que li o exposto pelo Sr. Rafael Reparador achei que está sendo desenhada uma nova teologia por muitos cristãos, diga-se inventada pelo homem que não suportam a sã doutrina. A palavra de Deus sempre foi a mesma, Deus sempre foi o mesmo e a sã doutrina sempre foi a mesma. é uma pena ver esse tipo de coisa, mas Jesus nos alertou que o amor de muitos esfriarão, mas estão confundindo o amor de Deus achando que podem fazer tudo pois Deus é amor . Que absurdo.

  7. Olá Rafael, seu texto foi bem construído e deixa clara sua visão sobre a questão da homosexualidade. Na realidade, não há como discordar do fato de que todos pecamos, e de que se não for a Graça Redentora de Cristo, ninguém é capaz de chegar a Deus. Também sei que o assunto tem levantado muita polêmica e levado alguns cristãos a uma reflexão que eu considero muito benéfica. Não posso concordar, porém, com todo seu raciocínio, pois a leitura e a interpretação dos textos sagrados (mesmo do Novo Testamento – onde “nos situamos”) não nos permitem defender que relações homosexuais se constituam a vontade de Deus para os homens. Ora vou conceituar o ‘pecado’ como aquilo que vai contra a vontade de Deus para os homens e mulheres, a qual nos foi revelada pelas Escrituras Sagradas, mediante Jesus e seus apóstolos, devendo ser propagada por nós cristãos. Diferentemente do que dá a entender o seu texto, a liberdade que Cristo nos proporciona não deve ser usada como pretexto para manutenção, ou defesa de nossos pecados. Ora, as taxas de divórcio no Brasil cresceu bastante nas últimas décadas, nem por isso essa é a vontade de Deus para o homem, pois demonstra infidelidade (uma promessa feita a Deus, ao cônjuge e às testemunhas não é cumprida) e, na maior parte, das vezes associa-se a outros erros (falta de perdão, mentiras, violência, etc.). Apesar de os próprios judeus aceitarem a abertura que Moisés deu ao divórcio, Jesus ratifica que o homem não deve se divorciar pois essa não é a vontade de Deus. Lucas 16:18 “Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério; e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério”. Assim, do mesmo jeito que o divórcio é algo não desejado por Deus para a humanidade, gerando feridas e consequências indesejadas tanto para o casal, como para os filhos, familiares e para a sociedade como um todo, práticas homosexuais e diversas outras atitudes/práticas/sentimentos humanos não fazem parte do plano de Deus para os homens e mulheres. Diferente do que você está defendendo, Jesus requer, sim, de nós cristãos que não nos afastemos dos princípios que Ele estabeleceu. Não é porque algo se torna comum, que se tornou certo, aceitável ou desejável por Deus. Você mesmo disse algo interessante: Deus não se condiciona à nossa moral, Ele é o que é. Nossa justiça para Ele é imundície. Ele não deixa de amar o homosexual, o adúltero, o divorciado, o viciado, o pedófilo, o corrupto, o altivo. Mas essas práticas não condizem com a vontade Dele expressa em sua Palavra. Não podemos julgar. Jesus não saia por aí julgando. Mas quando questionado, Jesus, como manifestação de Deus na terra, não dizia que um pecado era certo só porque era comum ou porque era difícil de ser vencido. O que Ele combateu frequentemente era a hipocrisia, ou seja, esquecer das nossas falhas e pecados e acusar/julgar os outros. Jesus nos ensinou a ser compassivos com a dor e com as lutas dos outros. Jesus nos ensinou a ser misericordiosos, mas nunca nos deu abertura para defender a manutenção de qualquer prática que atente contra a vontade de Deus. Isso é muito claro e expresso em toda a Sua jornada na terra. Se lembra do “vá e não peques mais”? ou ainda dos “teus pecados estão perdoados”? Ele não disse que o pecado não era pecado, mas perdoava e dava uma nova chance para que não pecássemos novamente. Aí está a novidade do Evangelho: arrependimento, é melhor que sacrifício. Outra novidade é que o próprio Cristo disse que venceríamos o mundo. Outra é que Ele mesmo, pelo Espírito Santo, se dispõe a nos perdoar e a nos ajudar a vencer o pecado. Ele nos dá ferramentas que nunca tivemos para sermos semelhantes a Ele. Entre outras ocasiões, no Apocalipse Jesus é enfático várias vezes: Ele não se agrada de filhos que permaneçam em práticas pecaminosas, mesmo após terem recebido a Salvação. Também repudia aqueles que toleram o pecado como algo normal (ver, por exemplo, a carta à igreja de Tiatira, Ap. 2:18). Diz ainda, em Mateus 5, 17-19, que aquele “que desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar os outros, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus”. Dessa forma, nós cristãos devemos, sim, amar o próximo, estender a mão para ajudar o outro, orar pelos que nos perseguem e se compadecer das dificuldades humanas. Porém evangelho veio para mudar as pessoas, e não para se “amoldar” a elas.

  8. PAREI MUITO ANTES DE TERMINAR NÃO É POSSÍVEL FAZER OU DESESTRUTURAR A BÍBLIA, PARA ACOMODAR AOS NOSSOS DESEJOS, POR MAIS BEM INTENCIONADOS QUE SEJAM…REALMENTE FORA DE PROPÓSITO, QUEM VOS ENSINOU A FUGIR DA IRA FUTURA RAÇA DE VIBORAS, POR CAUSA DE UM ADULTÉRIO IMAGINE HOMOSSEXUALISMO

  9. O que todo cristão deve saber sobre homossexualidade

    “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!” (João, 8:32)

    1) Não há, na Bíblia, nenhuma só vez as palavras homossexual, lésbica ou homossexualidade. Todas as Bíblias que empregam estas expressões estão erradas e mal traduzidas. A palavra homossexual só foi criada em 1869, reunindo duas raízes lingüísticas: Homo (do Grego, significando “igual”) e Sexual (do latim). Portanto, como a Bíblia foi escrita entre 2 e 4 mil anos atrás, não poderiam os escritores sagrados terem usado uma palavra inventada só no século passado. Elementar, irmão!

    2) A prática do amor entre pessoas do mesmo gênero, porém, é muito mais antiga que a própria Bíblia. Há documentos egípcios de 500 anos antes de Abraão, que revelam práticas homossexuais não somente entre os homens, mas também entre Deuses Horus e Seth. Segundo o poeta e escritor Goethe, “a homossexualidade é tão antiga quanto a humanidade”. Certamente, cada tempo com sua experiência singular, mas com o mesmo direcionar de desejo: o igual.

    3) No antigo Oriente, a homossexualidade foi muito praticada. Entre os Hititas, povo vizinho e inimigo de Israel, havia mesmo uma lei autorizando o casamento entre homens (1.400 antes de Cristo). Como explicar, então, que, entre as abominações do Levítico, apareça esta condenação: “O homem que dormir com outro homem como se fosse mulher, comete uma abominação, ambos serão réus de morte” (Levítico, 18:22 e 20:12). Segundo os Exegetas (estudiosos das escrituras sagradas), fazia parte da tradição de inúmeras religiões de localidades circunvizinhas à Israel, a prática de rituais homoeróticos, de modo que esta condenação visa fundamentalmente afastar a ameaça daqueles rituais idolátricos e não a homossexualidade em si. Prova disto é que estes versículos condenam apenas a homossexualidade masculina: teria Deus Todo Poderoso se esquecido das lésbicas ou, para Javé, a homossexualidade feminina não era pecado? Considerando que, do imenso número de leis do Pentateuco, apenas duas vezes há referência à homossexualidade (e só à masculina), concluem os exegetas que a supervalorização que os cristãos conferem a este versículos é sintoma claro e evidente de intolerância machista de nossa sociedade, um entulho histórico, e não um desígnio eterno de Javé, do mesmo modo que inúmeras outras abominações do Levítico, como os tabus alimentares (por exemplo, comer carne de porco) e os tabus relativos ao esperma e ao sangue menstrual, hoje completamente abandonadas e esquecidas. Por que católicos e protestantes conservam somente a negação contra a homossexualidade, enquanto abandonaram dezenas de outras proibições decretadas pelo mesmo Senhor?. Intolerância machista e ignorância que Freud explica!

    4) Se a homossexualidade fosse prática tão condenável, como justificar a indiscutível relação homossexual existente entre David e Jônatas?! Eis a declaração do salmista para seu bem-amado: “Tua amizade me era mais maravilhosa do que o amor das mulheres. Tu me eras deliciosamente querido!” (II Samuel, 1:26). Alguns crentes argumentarão que se tratava apenas de um amor espiritual, ágape. Preconceito primário, pois só as coisas materiais são referidas com a expressão “delicioso”, e não resta a sobra da menor dúvida que David, em sua juventude, foi adepto do “amor que não ousava dizer o nome”. Não foi gratuitamente que o maior escultor de nossa civilização, Miguel Ângelo, ele próprio, também homossexual, escolheu o jovem Davi, nu, como modelo de sua famosa escultura de Florença, na Itália. Negar o amor homossexual entre estes dois importantes personagens bíblicos (“amizade mais maravilhosa que o amor (Eros) das mulheres”) é negar a própria evidência dos fatos. “Tendo olhos, não vedes? E tendo ouvido, não ouvis?!” (Marcos, 8:18).

    5) Pelo visto, embora o Levítico fosse extremamente severo contra a prática da cópula anal (determinando igualmente a pena de morte contra o adultério e o bestialismo), outros livros sagrados revelam maior tolerância face ao homoerotismo. O Eclesiastes ensina: “É melhor viverem dois homens juntos do que separados. Se os dois dormirem juntos na mesma cama se aquecerão melhor” (4:11). Num país quente como a Judéia, o interesse em dormir junto só podia ser mesmo erótico. Portanto, na teoria o Levítico era uma coisa e a prática, desde os tempos bíblicos, parece ter sido outra. “Deus nos fez ministros da nova aliança, não a da letra e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica.” (II Coríntios, 3:6)

    6) A destruição de Sodoma e Gomorra? Indagarão alguns. Oferecemos três informações fundamentais e cientificamente comprovadas que, em geral, são propositadamente escondidas e desconhecidas pelos cristãos: 1) não há evidência histórica ou arqueológica que confirme a real existência dessas cidades; 2) este relato é obra dos “Javistas” (escritores bíblicos do século X a.C.), que se apropriaram de relatos mitológicos de outros povos anteriores aos judeus; 3) a própria destruição da suposta intenção homoerótica dos habitantes de Sodoma em relação aos três visitantes de Abraão (anjos ou homens?) apresenta dificuldades sérias de interpretação, pois quando os habitantes de Sodoma declararam desejar conhecer os visitantes, maliciosamente se interpretou o verbo “conhecer” como sinônimo de “ato sexual”. Segundo os exegetas, das 943 vezes que aparece esta palavra no Antigo Testamento (“yadac” em hebraico), em apenas 10 ela tem significado heterossexual – nenhuma vez o sentido homossexual. A associação do pecado dos “sodomitas e gorromitas” com a homossexualidade é um grave erro histórico, que tem sua oficialização pela igreja católica apenas na Idade Média, a “idade das trevas”.

    7) A própria Bíblia e o filho de Deus nos dão a chave para corrigir esta maliciosa identificação de Sodoma e Gomorra com a homossexualidade. Segundo os mais respeitados estudiosos das Sagradas Escrituras, o pecado de Sodoma é a injustiça e a anti-hospitalidade, nunca a violação homossexual. Prova disto, é que todos os textos que aludem à Sodoma no Antigo Testamento atribuem sua destruição a outros pecados e não ao “homossexualismo”: falta de justiça (Isaías, 1:10 e 3:9), adultério, mentira e falta de arrependimento (Jeremias, 23:14); orgulho, intemperança na comida, ociosidade e “por não ajudar o pobre e indigente” (Ezequiel, 16:49); insensatez, insolência e falta de hospitalidade (Sabedoria, 10:8; 19;14; Eclesiástico, 16:8). No Novo Testamento, não há qualquer ligação da destruição de Sodoma com a sexualidade e, muito menos, com a homossexualidade (Mateus,10:14; Lucas, 10:12 e 17:29). Só nos livros neotestamentários tardios de Judas e Pedro, é que aparece em toda a Bíblia alguma conexão entre Sodoma e a sexualidade (Judas, 6:7, Pedro, 2:4 e 6;10). Mesmo aí, inexiste relação com o “homoerotismo”.

    8) Dirão, agora, os crentes mais intolerantes: e as condenações de São Paulo aos homossexuais? Autoridades exegetas protestantes e católicas – como Mcneill, Thevenot, Noth, Kosnik, e muitos outros -, ao examinarem, cuidadosamente, na língua original, os textos das Epístolas aos Romanos 1:2, I Coríntios 6:9, Colosences 3:5 e I Timóteo 1:10, concluíram que, até agora, os cristãos têm dado uma interpretação errada a estas passagens. Quando Paulo diz que certas categorias de pecadores não entrarão no Reino dos Céus – ao lado dos adúlteros, bêbados, ladrões etc… – muitas Bíblias incluem nesta lista os “efeminados” e “homossexuais”. Logo de início, há uma condenação injusta, pois muitos efeminados (como muitas mulheres masculinizadas no comportamento) não são necessariamente homossexuais. As mais modernas e abalizadas pesquisas exegéticas concluem que, se Paulo de Tarso quisesse condenar especificamente os praticantes do homoerotismo, teria empregado o termo corrente em sua época e de seu perfeito conhecimento, “pederastas”. Em vez desta palavra, Paulo usou as expressões gregas “malakoi”, “arsenokoitai” e “pornoi” – que as melhores edições da Bíblia em português traduzem por “pervetores”, “pervertidos” e “imorais”. Portanto, foram estes pecadores que Paulo incluiu na lista dos afastados do Reino dos Céus, e não os “pederastas”, e muito menos os “homossexuais”, palavra desconhecida na Antigüidade. Segundo os historiadores, vivendo São Paulo numa época de grande licenciosidade sexual – tempo de Calígula, Nero e de Satiricon -, esperando o próximo retorno do Cristo e o fim do mundo, ele condenou, sim, os excessos e abusos sexuais dos povos vizinhos, mas nunca o amor inocente e recíproco, tal qual o de David e Jônatas. Há teólogos protestantes que chegam a diagnosticar Paulo de Tarso como homossexual latente (alusão feita por ele próprio ao misterioso “espinho na carne” que tanto o preocupava, além de sua manifesta e cruel “misoginia” ou ódio às mulheres). E, se a condenação paulina inclui também os bêbados, corruptos, caluniadores, por que atirar tanta pedra somente nos homossexuais? Também aqui, Freud explica! E tem mais: o próprio Filho de Deus disse que “há eunucos que assim nasceram desde o seio de suas mães” (Mateus 19:12), ensinando, num sentido figurado, que faz parte dos planos do Criador que alguns homens tenham uma sexualidade não reprodutora biologicamente. Todos somos imagem de Deus!

    9) O maior argumento para se comprovar que as Escrituras Sagradas não condenam o amor entre pessoas do mesmo gênero, é o fato de Jesus Cristo nunca ter falado nenhuma palavra contra os homossexuais! Se o “homossexualismo” fosse uma coisa tão abominável, certamente o Filho de Deus teria incluído esse tema em sua mensagem. O que Jesus condenou, sim, foi a dureza de coração, a intolerância dos fariseus hipócritas, a crueldade daqueles que dizem Senhor, Senhor!, mas esquecem da caridade e do respeito aos outros (Mateus, 7:21). E foi o próprio Messias quem deu o exemplo de tolerância em relação aos “desviados”, andando e comendo com prostitutas, pecadores e publicanos. E tem mais: Jesus Cristo mostrou-se particularmente aberto à homossexualidade, revelando carinhosa predileção por João Evangelista, “o discípulo que Jesus amava”, o qual, na última Ceia, esteve delicadamente recostado no peito do Divino Mestre. Há teólogos que chegam a sugerir que Jesus era homossexual, pois além de nunca ter condenado o homoerotismo, conviveu predominantemente com companheiros do seu próprio gênero, manifestou particular predileção pelo adolescente João e nunca se casou, além de revelar muita sensibilidade com as crianças e com os lírios do campo, comportamentos muito mais comuns entre homossexuais do que entre machões. O ensinamento do discípulo que Jesus amava não podia ser mais claro: “Filhinhos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e tudo o que é amor é nascido de Deus e conhece a Deus” (I João, 4:4).

    10) A Bíblia é um livro muito antigo, repleto de imagens simbólicas, parábolas e figurações. Interpretar as Escrituras ao pé da letra é ignorância, fanatismo e até pecado, pois o próprio Filho de Deus garantiu: “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora.
    Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á a verdade” (João, 16:12). Do mesmo modo como Galileu ensinou-nos a verdade a respeito da Astronomia, corrigindo a Bíblia e opondo-se à crença dos cristãos de sua época, assim também hoje todos os ramos da Ciência garantem que a homossexualidade é um comportamento normal, saudável e tão digno moralmente como a orientação sexual da maioria das pessoas. Negar esta evidência científica é repetir a mesma ignorância intolerante do Papa que condenou Galileu. Não devemos temer a verdade que liberta, pois o próprio Jesus nos mandou imitar “o escriba instruído nas coisas do Reino dos Céus, que como um pai de família, tira de seu tesouro coisas novas e velhas” (Mateus, 13:52). Mesmo que o Papa ou os pastores continuem a negar os direitos humanos dos gays e lésbicas, mesmo que cristãos ignorantes continuem a repetir as ultrapassadas abominações do Velho Testamento, para os verdadeiros crentes o que vale é o exemplo do Filho de Deus, Jesus Cristo, que nunca condenou a prática da homossexualidade. “E conhecereis a verdade, a verdade vos libertará!” (João, 8:32).

    INDICAÇÕES DE LEITURA:

    1. Homossexualidade: Ciência e Consciência, de Marciano Vidal (Edições Loyola, SP, 1985).
    2. A sexualidade humana: novos rumos do pensamento católico americano, de Anthony Kosnik (Editora Vozes de Petrópolis, RJ, 1982).
    3. Pastoral com homossexuais, do Padre José Transferetti (Editora Vozes de Petrópolis, RJ, 1999).

  10. Caro André,

    Devo discordar de seus argumentos em diversos aspectos, mas vou me ater a alguns pontos em específico.

    Nos tópicos 2 e 3 você defende que a prática homossexual deve ser aceita, pois há muito tempo ela é praticada, por diversos povos, antes mesmo de Abraão. Isto é fato: você está certíssimo. Ocorre que esse argumento é insuficiente para justificar uma “aceitação” de Deus a práticas homossexuais. Ora, se assim pensarmos, Deus deveria aceitar a mentira, a cobiça, a prostituição, etc., pois essas práticas sempre existiram. Aliás, em diversas sociedades (como na nossa) essas práticas são até defendidas/veneradas.

    Por outro lado, concordo de que a homossexualidade tem sido supervalorizada pela comunidade cristã: relação sexual entre pessoas do mesmo sexo é uma das práticas humanas que não correspondem à vontade de Deus, assim como diversas outras.

    No tópico 4, você diz CATEGORICAMENTE que não há dúvidas de que Davi e Jonatas tinham relações homossexuais. Na realidade você é quem está dizendo isso, pois além de não ter nenhum registro disso na Bíblia, não há elementos suficientes para assegurar que eles eram gays.

    Ora é factível que um homem tenha, sim, afeição, amizade muito grande com outro homem, ou uma mulher tenha uma amizade muito profunda com outra. Davi em sua mocidade gostava tanto de seu amigo que chegou a comparar essa AMIZADE (esse foi o termo que ele usou) ao amor que ele tinha pelas mulheres. A Bíblia mesmo diz que há amigos mais chegados que irmãos. Todo o restante do contexto deixa claro que Jônatas era o irmão que Davi não teve e que ele o amava muito. No versículo que você referiu, por exemplo, Davi, lamentando a morte de Jônatas diz: “Como estou triste por você, Jônatas, meu IRMÃO!”.

    Um homossexual se relacionaria sexualmente com alguém que ele considera seu próprio IRMÃO? É muito mais evidente e notório em todo o contexto do capítulo, e em todos os demais registros da história de Davi, que Jônatas era considerado como um amigo verdadeiro, como um irmão que Davi não teve (lembre que os irmãos dele não eram seus amigos…). Não existem elementos suficientes que para dizer que Davi gay, e tampouco que era parceiro sexual de Jônatas. Pelo contrário: é só lembrar que a queda de Davi se deu porque ele adulterou com a mulher de um de seus servos, e mandou matá-lo para ficar com a mulher!

    Outro argumento que sustenta sua tese de que Davi era parceiro sexual de Jônatas não procede. Diferente do que você defende, na Bíblia, a expressão “delicioso” (ou similares) não se refere apenas a coisas materiais. Há diversas passagens bíblicas, inclusive em Salmos, com palavras dessa natureza para tratar de coisas NÃO materiais. Só para exemplificar Salmos 119:77 “Venham sobre mim as tuas misericórdias, para que viva, pois a tua lei é a minha delícia” (ora é óbvio que não se está falando de lamber as pedras da Lei ou os pergaminhos para dizer que é uma delícia!)

    No tópico 5, o argumento de que “num país quente como a Judéia, o interesse em dormir junto só podia ser mesmo erótico” não procede, pois o clima daquela região principalmente a noite) tem temperaturas bem baixas (nessa semana, por exemplo, a mínima está em torno de 4 graus), e poderiam, naquela época, comprometer a própria sobrevivência das pessoas. Olhe o contexto do versículo: “É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do TRABALHO de duas pessoas. Se um cair, o AMIGO pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem QUEM o ajude a levantar-se!”.
    Ora não há nenhuma referência ou sugestão a práticas homossexuais, é notório aqui se trata de sobrevivência humana, da conveniência de que o ser humano não viva só, de que é melhor viver em comunidade do que isolado. Duas ou mais pessoas poderiam dormir próximos para mitigar o frio e garantir a sobrevivência e isso não tem nada a ver com homossexualidade.
    No tópico 8, você faz alusão à palavra de Jesus de que “há eunucos que assim nasceram desde o seio de suas mães” (Mateus 19:12) para justificar que alguns homens podem ter nascido “com uma sexualidade não reprodutora biologicamente”. Concordo com essa afirmação, mas isso não induz a afirmar que Jesus estava admitindo a prática homossexual! Seu raciocínio ignorou o contexto do ensino de Jesus:
    1)Os discípulos perguntaram para Jesus se era certo divorciar.
    2) Jesus disse que o homem não deve separar o que Deus uniu, e que o HOMEM e a MULHER formam, quando casados, uma só carne.
    3) Os discípulos replicam dizendo que Moisés permitia o divórcio.
    4) Jesus respondeu que Moisés permitiu por causa da DUREZA dos corações dos homens, mas que isso não é desejado por Deus. Jesus disse que quem se divorcia, não sendo por causa de prostituição, comete adultério.
    5) Os discípulos dizem que se fosse desse jeito era melhor NÃO CASAR.
    6) Então Jesus diz que não são todos que conseguem ficar SEM CASAR, apenas algumas pessoas – a quem chamou de ‘eunucos’. Alguns eram eunucos de nascença, outros castrados pelos homens, outros, voluntariamente, por amor a Deus. Ou seja, existem pessoas que conseguem ficar SEM CASAR, conseguindo viver sem a prática sexual e sem procriar. As demais pessoas (‘não eunucos’) não suportariam esse encargo: “Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido. Mateus 19:11”
    Em resumo: Jesus disse que algumas pessoas (eunucos voluntários, sociais ou biológicos) conseguem viver SEM CASAR e em momento algum defendeu a prática de relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo.
    Outra questão é que, diferente do que você diz no tópico 10, Galileu não “corrigiu” a Bíblia, pois ela nunca disse que a terra era chata. Pelo contrário, no livro de Isaias a terra é chamada de “círculo” “cúpula” “redondeza”. Além disso, não podemos considerar tudo que a ciência produz como verdades absolutas, pois, diferente da Revelação de Deus, elas são construídas integralmente pela mente humana.
    Se por um lado elas podem ser úteis com ferramentas e mecanismos para melhorar a vida na terra, ela pode também criar linhas de raciocínio e ideologias que num futuro muito breve podem se alterar completamente. As coisas humanas passam, mas a natureza de Deus é eterna. Nunca se conseguirá alcançar a verdade completa sobre o homem, ignorando sua essência espiritual.
    Por fim, ressalto, como no post anterior, que devemos amar todos, mas não podemos dizer que relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo fazem parte da vontade de Deus para o ser humano.
    Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo! Isaías 5:20

  11. Parabéns pelo texto Rafael. Ainda bem que existem “crentes” com lucidez e amor ao próximo suficiente para entender que não cabe a ninguém julgar o seu próximo, somente Deus poderá fazê-lo.
    Para aqueles que estão com pedras na mão para jogar nos homossexuais (pecadores), lembrem-se o que disse Jesus sobre isso.

    Eu, Cristão, Homossexual, agradeço a Deus todos os dias por ter me ajudado a entender e aceitar a minha orientação sexual, pois antes disso eu queria através do suicídio me livrar desta condição.

    Antes de julgar um homossexual (pecador para a maioria dos evangélicos), conclamo a esses “ditos cristãos” a conhecerem o seu próximo.

  12. Caro André,

    Devo discordar de seus argumentos em diversos aspectos, mas vou me ater a alguns pontos em específico.

    Nos tópicos 2 e 3 você defende que a prática homossexual deve ser aceita, pois há muito tempo ela é praticada, por diversos povos, antes mesmo de Abraão. Isto é fato: você está certíssimo. Ocorre que esse argumento é insuficiente para justificar uma “aceitação” de Deus a práticas homossexuais. Ora, se assim pensarmos, Deus deveria aceitar a mentira, a cobiça, a prostituição, etc., pois essas práticas sempre existiram. Aliás, em diversas sociedades (como na nossa) essas práticas são até defendidas/veneradas.

    Por outro lado, concordo de que a homossexualidade tem sido supervalorizada pela comunidade cristã: relação sexual entre pessoas do mesmo sexo é uma das práticas humanas que não correspondem à vontade de Deus, assim como diversas outras.

    No tópico 4, você diz categoricamente que não há dúvidas de que Davi e Jonatas tinham relações homossexuais. Na realidade você é quem está dizendo isso, pois além de não ter nenhum registro disso na Bíblia, não há elementos suficientes para assegurar que eles eram gays.

    Ora é factível que um homem tenha, sim, afeição, amizade muito grande com outro homem, ou uma mulher tenha uma amizade muito profunda com outra. Davi em sua mocidade gostava tanto de seu amigo que chegou a comparar essa amizade (esse foi o termo que ele usou) ao amor que ele tinha pelas mulheres. A Bíblia mesmo diz que há amigos mais chegados que irmãos. Todo o restante do contexto deixa claro que Jônatas era o irmão que Davi não teve e que ele o amava muito. No versículo que você referiu, por exemplo, Davi, lamentando a morte de Jônatas diz: “Como estou triste por você, Jônatas, meu irmão!”.

    Um homossexual se relacionaria sexualmente com alguém que ele considera seu próprio irmão? É muito mais evidente e notório em todo o contexto do capítulo, e em todos os demais registros da história de Davi, que Jônatas era considerado como um amigo verdadeiro, como um irmão que Davi não teve (lembre que os irmãos dele não eram seus amigos…). Não existem elementos suficientes que para dizer que Davi gay, e tampouco que era parceiro sexual de Jônatas. Pelo contrário: é só lembrar que a queda de Davi se deu porque ele adulterou com a mulher de um de seus servos, e mandou matá-lo para ficar com a mulher!

    Outro argumento que sustenta sua tese de que Davi era parceiro sexual de Jônatas não procede. Diferente do que você defende, na Bíblia, a expressão “delicioso” (ou similares) não se refere apenas a coisas materiais. Há diversas passagens bíblicas, inclusive em Salmos, com palavras dessa natureza para tratar de coisas não materiais. Só para exemplificar Salmos 119:77 “Venham sobre mim as tuas misericórdias, para que viva, pois a tua lei é a minha delícia” (ora é óbvio que não se está falando de lamber as pedras da Lei ou os pergaminhos para dizer que é uma delícia!)

    No tópico 5, o argumento de que “num país quente como a Judéia, o interesse em dormir junto só podia ser mesmo erótico” não procede, pois o clima daquela região principalmente a noite) tem temperaturas bem baixas (nessa semana, por exemplo, a mínima está em torno de 4 graus), e poderiam, naquela época, comprometer a própria sobrevivência das pessoas. Olhe o contexto do versículo: “É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se!”.
    Ora não há nenhuma referência ou sugestão a práticas homossexuais, é notório aqui se trata de sobrevivência humana, da conveniência de que o ser humano não viva só, de que é melhor viver em comunidade do que isolado. Duas ou mais pessoas poderiam dormir próximos para mitigar o frio e garantir a sobrevivência e isso não tem nada a ver com homossexualidade.

  13. No tópico 8, você faz alusão à palavra de Jesus de que “há eunucos que assim nasceram desde o seio de suas mães” (Mateus 19:12) para justificar que alguns homens podem ter nascido “com uma sexualidade não reprodutora biologicamente”. Concordo com essa afirmação, mas isso não induz a afirmar que Jesus estava admitindo a prática homossexual! Seu raciocínio ignorou o contexto do ensino de Jesus:
    1)Os discípulos perguntaram para Jesus se era certo divorciar.
    2) Jesus disse que o homem não deve separar o que Deus uniu, e que o homem e a mulher formam uma só carne.
    3) Os discípulos replicam dizendo que Moisés permitia o divórcio.
    4) Jesus respondeu que Moisés permitiu por causa da dureza dos corações dos homens, mas que isso não é desejado por Deus. Jesus disse que quem se divorcia, não sendo por causa de prostituição, comete adultério.
    5) Os discípulos dizem que se fosse desse jeito era melhor não casar.
    6) Então Jesus diz que não são todos que conseguem ficar sem casar, apenas algumas pessoas – a quem chamou de ‘eunucos’. Alguns eram eunucos de nascença, outros castrados pelos homens, outros, voluntariamente, por amor a Deus. Ou seja, existem pessoas que conseguem ficar sem casar, conseguindo viver sem a prática sexual e sem procriar. As demais pessoas (‘não eunucos’) não suportariam esse encargo: “Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido. Mateus 19:11”
    Em resumo: Jesus disse que algumas pessoas (eunucos voluntários, sociais ou biológicos) conseguem viver sem casar e em momento algum defendeu a prática de relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo.
    Outra questão é que, diferente do que você diz no tópico 10, Galileu não “corrigiu” a Bíblia, pois ela nunca disse que a terra era chata. Pelo contrário, no livro de Isaias a terra é chamada de “círculo” “cúpula” “redondeza”. Além disso, não podemos considerar tudo que a ciência produz como verdades absolutas, pois, diferente da Revelação de Deus, elas são construídas integralmente pela mente humana.
    Se por um lado elas podem ser úteis com ferramentas e mecanismos para melhorar a vida na terra, ela pode também criar linhas de raciocínio e ideologias que num futuro muito breve podem se alterar completamente. As coisas humanas passam, mas a natureza de Deus é eterna. Nunca se conseguirá alcançar a verdade completa sobre o homem, ignorando sua essência espiritual.
    Por fim, ressalto, como no post anterior, que devemos amar todos, mas não podemos dizer que relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo fazem parte da vontade de Deus para o ser humano.
    Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo! Isaías 5:20

  14. Alguém já disse que pessoas procuram versículos que apoie suas opiniões: acho que esse é o caso; não que devamos odiar os homos; eu particularmente não os odeio no entanto não posso compactuar com seu pecado descritos na palavra de Deus;e quem disse que Deus os odeia?
    Deus ama realmente todas as pessoas ( E Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu único filho para que todo aquele que nEle crer não pereça mais tenha a vida eterna João 3:16) mais isso não significa que Deus ama os pecados de tais pessoas todos nos somos pecadores mais existe a diferença entre ser pecador e viver na pratica do pecado
    1 JOÃO 3 DE 7 A 10

    7 Filhinhos, não deixem que ninguém os engane. Aquele que pratica a justiça é justo, assim como ele é justo.
    8 Aquele que pratica o pecado é do Diabo, porque o Diabo vem pecando desde o princípio. Para isso o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo.
    9 Todo aquele que é nascido de Deus não pratica o pecado, porque a semente de Deus permanece nele; ele não pode estar no pecado porque é nascido de Deus.
    10 Desta forma sabemos quem são os filhos de Deus e quem são os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não procede de Deus, tampouco quem não ama seu irmão.

  15. A letra mata sim porque ela é justiça, mas a graça e o amor só alcançar aqueles que se arrependem dos seus maus caminhos. Poderia escrever um jornal provando que a graça só alcança os arrependidos, para que haja arrependimentos tem que conhecer a Lei que condena o pecado e se arrepender senão do mesmo jeito está morto.

  16. Religiões são iguais a partidos políticos..
    Todos querem o poder.e de alguma maneira nescessitam de criar um acusado para justificar sua “santidade”.
    , então por isso seus membros, por falta da prática do amor e por indolência dessa prática, apontam o dedo pros “pecadores” mais evidentes.
    O grande problema desta hipocrisia toda está na falta da prática do verdadeiro Amor, que é a Caridade.
    Um dia desses um evangélico tentou me convencer de que não devo ajudar ninguém, e que somente devo orar pelas pessoas, então respondí a ele que assim fica fácil e cômodo pra mim, e disse também que a Pessoa a quem ele serve disse:
    “nem todos que disserem Senhor!Senhor! entrarão no reino do céu!.., porque tive fome e não me deste de comer!, tive sede e não me saciaste!, tive encarcerado e não me visitaste!..”. teria Cristo dito que aqueles que “acusamos’, apontando-os e desprezando-os, são o próprio cristo?
    porque no fundo o que todos sentimos é medo. Medo do desapego, então marginalizamos o próximo para nos supervalorizar, pois conhecemos a nossa própria covardia e com medo de ficarmos sozinhos é mais fácil nos unirmos para atirar pedras, por isso inventamos pretextos, e de bíblia em bíblias seguimos criando um meio de vida!

    A Humanidade está carente de amor! o planeta está correndo risco de vida! e os religiosos que se acham especialistas em Deus continuam entorpeçendo os pequeninos, criando neles uma preocupação com o tal do pecado!

    Todos nós vivemos pela Graça e esses pecadinhos idiotas são supervalorizados pelos falsos profetas que na verdade são anti-cristãos. O anti-cristão distorçe a Mensagem para satisfazer o seu ego, totalmente irresponsável, transgressor do amor, daí inventam o tal do diabo pra justificarem suas maldades contra o Planeta! tanto que o próprio Jesus disse a Pedro: “aparta-te de mim Satanás..”, o diabo é o que vem se tornando o ser humano!

    O nome Jesus e a palavra Deus vem sendo Banalizada por essa gente presunçosa.
    A rede Globo e a Xuxa no final das contas são Santos se comparados, pois ao menos não se julgam Justos e nem Inocentes!
    Deus não precisa que fiquem berrando pra Ele e nem tampouco gravando louvores lucrativos! adoração a Deus é estudar sobre o equilíbrio ecológico e respeitar a natureza e também a natureza das coisas, adoração a Deus é respeitar o próximo como a tí mesmo, diminuir o volume do som, arrecadar dinheiro pra doar aos orfanatos, não matar os bichinhos irracionais,etc…etc…etc…
    Os skinheads são assassinos mas não são hipócritas, quando matam “gays” nas ruas!., já os santinhos dos crentes matam psicológicamente com pedradas de pelica!

    Porque será que de púlpito nenhum pastor jamais pregou que o dízimo(ao menos de um único mês) seja arrecadado para levar aos doentes e órfãos.
    Porque será que nenhum pastor prega sobre o texto que diz que Abrãão cafetinou a Sarah e ficou rico por isso, e que David amou Jonatas como uma mulher, e que Sodoma e Gomorra foram destruídas porque seus cidadãos heterosexuais éram estupradores dos homens estrangeiros, que as filhas de Ló transaram com ele para procriar pois não havia mais homem pra isso…etc…etc…etc…
    Já que a Palavra é tão penetrante!

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